CLUBE DE LEITURA TEATRAL

Ter 01 Dez 2015 | 18:30 | Sala de Espelhos, TAGV
TAGV / A ESCOLA DA NOITE

Sinopse

Nova iniciativa que junta o Teatro Académico de Gil Vicente e A Escola da Noite, coordenada respetivamente por Ricardo Correia e por António Augusto Barros, tendo como objetivo a divulgação, o conhecimento e a promoção da dramaturgia. Com sessões mensais, o Clube de Leitura Teatral propõe-se como uma iniciativa aberta à participação de coletivos, associações e interessados na escrita para teatro.

 

Esta sessão é coordenada por Ricardo Correia a partir de Horácio e Máquina Hamlet de Heiner Müller.

Heiner Müller é personalidade de referência obrigatória na dramaturgia alemã. As suas obras históricas, revolucionárias e convulsivas identificam-se de tal modo com a construção da história alemã e do mundo contemporâneo que nele se incorporou uma espécie de “voz da Alemanha” e da modernidade. Entre uma palavra embaraçada aqui e outra sórdida ali, essa voz faz ecoar muitas outras: a do teatro de Brecht – mestre que seguiu e transgrediu -, a do materialismo histórico de Marx e a do niilismo de Nietzsche, para não citar outras. Tematicamente, Müller baseia-se em obras consagradas da tradição literária – nas tragédias gregas, no teatro de Shakespeare, nas obras de Walter Benjamim, Kleist, Hölderlin – e nos principais acontecimentos do século XX, colocando assim a sua escrita sempre ao lado de processos históricos e propósitos políticos, seja para objetivá-los, ou para os ironizar. Consequentemente, a literatura mülleriana propõe ao público uma leitura desafiante, pois tem no nível da sua elaboração uma composição temática e estrutural complexa e polémica. Ruth Röhl

Ficha Técnica

Coordenação Ricardo Correia (Teatro Académico de Gil Vicente), António Augusto Barros (A Escola da Noite)

Organização Teatro Académico de Gil Vicente/A Escola da Noite

Fotografia Cláudia Morais

Informações Adicionais

Heiner Müller Dramaturgo alemão, um dos maiores da geração que se seguiu à de Brecht, nascido a 9 de janeiro de 1929, em Eppendorf, e falecido a 30 de dezembro de 1995, em Berlim.
Quando tinha 4 anos, o seu pai, opositor ao regime de Hitler, foi preso pelo exército nazi. Em 1944, o jovem Heiner foi alistado à força no exército, sendo feito prisioneiro no final da guerra. Em 1946, regressou a Berlim, radicando-se na parte da cidade ocupada pelos soviéticos. Em 1953, aproximou-se dos meios brechtianos, dedicando os seus esforços a um tipo novo de dramaturgia que procurava relatar a realidade económica e social da Alemanha. No ano seguinte, entra para a Associação de Escritores Alemães (Deutscher Schriftsteller-Verband, DSV). A sua primeira peça foi Fura-Tabelas (1956), seguindo-se A Vida no Campo (1961) e O Canteiro (1964). Müller tornou-se um dos mais importantes dramaturgos da República Democrática Alemã, recebendo o prémio Heinrich Mann (1959).
No entanto, a sua relação com a RDA começou a deteriorar-se e, com apenas uma apresentação de A Repatriada em Berlim em 1961, viu a sua obra ser censurada, sendo expulso da Associação dos Escritores no mesmo ano. Após o suicídio da sua esposa em 1966, voltou-se para a tragédia grega, adaptando Édipo-Rei de Sófocles e Prometeu de Ésquilo. Mais tarde, Müller começou a trabalhar com companhias e grupos teatrais da Alemanha Ocidental nas décadas de 70 e 80. Abordou o comunismo em obras como Morte em Berlim (1971), A Batalha (1974) e Quarteto (1980). A sua última peça foi Germania 3 (1995).
Com o aumento do seu prestígio internacional, passou a ser cada vez mais aceite na Alemanha Oriental. Foi admitido na Academia de Artes da RDA em 1984, dois anos após tornar-se membro da Academia de Artes de Berlim Ocidental. No entanto, Müller não foi readmitido na Associação de Escritores Alemães antes de 1988. Depois da queda do Muro de Berlim, Müller torna-se presidente da Academia de Artes da RDA por um curto período em 1990. Em 1992 é convidado a assumir a direção do Berliner Ensemble, antiga companhia de Brecht, como um dos seus cinco membros. Pouco antes da sua morte, é nomeado diretor artístico.
Em Portugal, Müller já foi encenado por coletivos como o Teatro da Cornucópia e pelo Teatro Aberto. A peça Germania 3 foi representada em Portugal no Centro Cultural de Belém, com encenação de Joudheuill, em 1997, um ano após a morte de Müller. O dramaturgo também serviu de inspiração a um espetáculo e álbum da banda Mão Morta: Müller no Hotel Heissischer Hof (1998).

Duração do Espectáculo

1H00

Faixa Etária

Todos os públicos

Preçário

Entrada livre
Informações e inscrições clube.leitura.teatral@gmail.com
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