DIA MUNDIAL DO TEATRO

Sex 27 Mar > Sáb 28 Mar 2015 | 16:00 02:00 | Galerias Colégio das Artes e TAGV
FESTIVAL END

Sinopse

O Teatro Académico de Gil Vicente celebra o Dia Mundial do Teatro com um programa intenso dedicado à dramaturgia contemporânea, que decorre das 16h às 02h, entre as Galerias do Colégio das Artes e o TAGV. Neste dia em que celebramos uma das mais antigas artes da cultura ocidental, apresentamos uma leitura encenada com direção de Nuno M Cardoso, dando voz a textos inéditos de Sónia Baptista (Peremptório Erro Sem Dano) e de Patrícia Portela (Sem Título), dramaturga Residente do TAGV (de 2013 a 2015), às 16h nas Galerias do Colégio das Artes. De seguida, Tiago Rodrigues, dramaturgo residente do TAGV (de 2011 a 2013), apresenta Entrelinhas às 18h30, no Café Teatro do TAGV. O encerramento do Dia Mundial do Teatro acontece com Quizoola! da companhia britânica Forced Entertainment, uma criação de Tim Etchells que conta com a interpretação dos encenadores Jorge Andrade, Pedro Penim e a coreógrafa Vera Mantero. O espetáculo, com início às 20h no palco do TAGV, tema duração extraordinária de 6 horas, período durante o qual o público poderá chegar, partir e voltar em qualquer momento da apresentação. Durante o espetáculo, o público será igualmente convidado a conhecer os bastidores do Teatro, por meio de visitas guiadas, e observar a “máquina do teatro”, assim como uma exposição de objetos que fizeram parte da vida do TAGV nos últimos 54 anos.

Venha celebrar o Teatro connosco!

 

16H00 // LEITURA

SEM TÍTULO

De Patrícia Portela

PEREMPTÓRIO ERRO SEM DANO

De Sónia Baptista

Direção de Nuno M Cardoso 

A leitura decorre no espaço da Exposição Kach twen-tee-too, de Pedro Tudela/Instalação de João Mendes Ribeiro

Patrícia Portela e Sónia Baptista foram desafiadas para um jogo invertido: escreverem um texto para cena, a partir da obra de Pedro Tudela, artista plástico, performer e cenógrafo, como forma de inverter o gesto clássico de escrita e encenação, que condiciona tradicionalmente o dispositivo cénico e cenográfico. Portela e Baptista estão assim perante o exercício contrário: escrever para o universo plástico e cenográfico de Tudela.

Galerias do Colégio das Artes

Duração aprox. 2h00

Entrada livre

 

18H30 // ESPETÁCULO

ENTRELINHAS

De Tiago Rodrigues

Cocriação e interpretação Tónan Quito

A primeira versão do texto Entrelinhas, uma forma breve que teve a sua leitura em 2010, interpretado por Albano Jerónimo e dirigido por Nuno M Cardoso, nos Encontros de Novas Dramaturgias Contemporâneas, que aconteceram no São Luiz Teatro Municipal. Assumiu posteriormente uma forma longa aquando da montagem, já em versão de espetáculo, por Tiago Rodrigues e Tónan Quito em Fevereiro de 2013 no mesmo teatro. Contudo, de 2010 até hoje, o texto preservou a sua essência: uma ficção frágil que mescla o real e a ficção, relatando o diálogo entre um autor (Tiago) e um ator (Tónan), quando aquele tinha que escrever um texto para este o poder interpretar no Teatro São Luiz mas, por motivos misteriosos, falhou todos os prazos. Foi então que uma série de acidentes, tão reais quanto literários, deu origem a Entrelinhas.

Café Teatro TAGV

Duração aprox. 1h15

M/12

€5

 

20H00 // ESPETÁCULO

QUIZOOLA!

De Forced Entertainment

Texto de Tim Etchells

Interpretação de Jorge Andrade, Pedro Penim e Vera Mantero

“Qual é a capital de Espanha? Porque é que as pessoas têm medo de morrer? O que é uma árvore? O John Wayne era mesmo valente? O teu louro é natural?” Quizoola!, em versão portuguesa, é um dos espetáculos mais emblemáticos da companhia inglesa Forced Entertainment, apresentado agora por Jorge Andrade (mala voadora), Pedro Penim (Teatro Praga) e Vera Mantero (O Rumo do Fumo), tendo sido apresentado por duas vezes em Lisboa (Festival Danças na Cidade, em 2002, e no Teatro Maria Matos, em 2011). Esta é uma performance de longa duração baseada num texto de Tim Etchells com 2000 perguntas. Durante seis horas, três actores com maquilhagem de palhaço esborratada vão-se revezando na escolha de perguntas e improvisando respostas em palco. À medida que novas perguntas são lançadas e novas respostas inventadas, o ambiente vai-se alterando imprevisivelmente, num divertido jogo entre os atores e o público e entre a realidade e a imaginação. O público poderá chegar, partir e voltar em qualquer momento da apresentação.

Auditório TAGV

Duração aprox. 6h00

M/16

€5

 

21H00-02H00 // VISITAS NOTURNAS

VISITAS GUIADAS DIA MUNDIAL DO TEATRO

No Dia Mundial do Teatro o TAGV abre as suas portas para conduzir o público numa visita-guiada a alguns espaços, aos quais, habitualmente, não tem acesso. Durante a visita, propomos-lhe que viaje no tempo e veja em exposição alguns objectos históricos que o TAGV guarda no seu acervo, todos eles ligados à arte do teatro.

As visitas decorrerão de 30 em 30 minutos a partir das 21h. As inscrições poderão ser feitas por telefone ou presencialmente.

TAGV

Dur. 30 min

Entrada Livre [sujeita a inscrição]

Ficha Técnica

Organização TAGV

Informações Adicionais

MENSAGEM DO DIA MUNDIAL DO TEATRO 2015

Os verdadeiros mestres do teatro encontram-se facilmente longe do palco. E não estão geralmente interessados no teatro que seja como uma máquina para replicar convenções e reproduzir lugares comuns. Eles procuram encontrar a fonte da palpitação, as correntes vitais que tendem a evitar as salas de espetáculo e as multidões de pessoas prontas a copiar um qualquer mundo. Copiamos, em vez de criarmos mundos focados ou mesmo dependentes do debate com o público, cultivando emoções que ultrapassam a superficialidade. É que, na realidade, nada revela melhor as paixões escondidas do que o teatro.

Sou muitas vezes levado pela prosa para refletir. Penso frequentemente nos escritores que há quase um século descreveram profeticamente, mas também com parcimónia, o declínio dos deuses europeus, o crepúsculo que mergulhou a nossa civilização numa escuridão de que ainda não recuperou. Estou a pensar em Franz Kafka, Thomas Mann e Marcel Proust. Presentemente também incluiria Maxwell Coetzee nesse grupo de profetas.

A sua visão comum do inevitável fim do mundo – não do planeta mas do modelo das relações humanas – e da ordem social e sua decadência, é hoje em dia dolorosamente sentida por todos nós. Por nós, que vivemos neste pós fim do mundo. Que vivemos em confronto com crimes e conflitos que deflagram diariamente por todo o lado com uma velocidade superior à capacidade ubíqua dos próprios meios de comunicação. Estes fogos rapidamente se esgotam e desaparecem das notícias, para sempre. E nós sentimo-nos abandonados, assustados e enclausurados. Não somos já capazes de construir torres, e os muros que esforçadamente levantámos deixam de nos proteger – pelo contrário, requerem eles próprios proteção e cuidados que consomem grande parte da nossa energia vital. Perdemos a força que nos permite vislumbrar para lá dos portões, para lá dos muros. E essa devia ser a razão de existir do teatro  e é aí que devia encontrar a sua força. O canto íntimo que é proibido devassar.

“A lenda procura explicar aquilo que não pode ser explicado. Está ancorada na verdade, e deve acabar no inexplicável” – é assim que Kafka descreveu a transformação da lenda de Prometeu. Acredito profundamente que estas mesmas palavras deviam descrever o teatro. E é este tipo de teatro, aquele que está ancorado na verdade e encontra o seu fim no inexplicável, que eu desejo a todos os que nele trabalham, os que se encontram no palco e os que constituem o público, e isto eu desejo de todo o meu coração.

Krzysztof  Warlikowski // um dos mais importantes encenadores europeus da sua geração [Polónia] 

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