END – FESTIVAL ENCONTROS DE NOVAS DRAMATURGIAS ’17

Seg 27 Mar > Qua 29 Mar 2017 | 11:00 22:00 |
Coprodução - Colectivo 84 e Teatro Académico de Gil Vicente

Sinopse

3 dias, 3 seminários, 7 leituras encenadas, 2 apresentações de livros, 2 conversas, 5 espetáculos.

2017 assinala a 3ª edição dos Encontros de Novas Dramaturgias (END), que se junta novamente ao Teatro Académico de Gil Vicente, em articulação com outras estruturas culturais da cidade de Coimbra, para divulgar e pensar o lugar da literatura, do texto teatral, numa diversidade de dispositivos e de géneros cénicos.

À semelhança da 2ª edição do Festival END, esta nova edição regressa agora com uma programação que junta seminários, conversas, debates, leituras e apresentações de espetáculos que se norteiam por uma aposta clara na dramaturgia portuguesa e no lugar que o autor (vivo) ocupa em cada criação. Esta 3ª Edição prolonga o desejo de dar enfoque à escrita para teatro e aos seus autores, dando a ver e a ouvir as singularidades que compõem a cena contemporânea portuguesa. Subjaz a qualquer texto de cena uma autoria (individual ou plural) que defende e apresenta uma ideia de teatro, de palco, um estilo de escrita, uma noção de passado e presente em que se inscreve (e que reivindica a cada fala), assim como uma visão do dizer e do mundo.

Ao longo de três dias, os Encontros de Novas Dramaturgias apresentam assim os mais recentes trabalhos de autores portugueses através de diversos formatos. Nos seminários ESCREVER PARA QUE PELE?, Miguel Graça, Cláudia Lucas Chéu e Ricardo Neves-Neves contam-nos como escrevem e porque escrevem, entregando-nos assim as suas motivações fundamentais no que diz respeito a este meio de comunicação ambíguo, processado, que desemboca num palco que transforma a escrita e que, por isso, a coloca em crise.

Para pensar a escrita e a dramaturgia no ensino das artes performativas, Rui Pina Coelho (flul, Lisboa), dramaturgo e professor, modera uma conversa com colegas de profissão como Armando Nascimento Rosa (ESTC, Lisboa), Carlos Costa (FLUC, Coimbra), Jorge Palinhos (ESAP, Porto/IPB, Bragança) e Miguel Castro Caldas (ESAD.CR, Caldas da Rainha). Ainda, para continuar a pensar a escrita para teatro, José Maria Vieira Mendes, à conversa com Fernando Matos Oliveira, apresenta o seu ensaio UMA COISA NÃO É OUTRA COISA onde questiona as tensões antigas entre duas artes: literatura dramática e teatro.

O Festival END é também o espaço para (re)descobrirmos textos na sua forma mais despojada – a leitura. Assim, Cláudia Lucas Chéu apresenta VENENO com Albano Jerónimo o seu mais recente texto para teatro, enquanto Miguel Graça nos dá a conhecer o seu LUGARES#1. Do seu lado, Rui Pina Coelho apresenta-nos a primeira edição em livro do projeto que coordena, promovido pelo Teatro Nacional D. Maria II — LABORATÓRIO DE ESCRITA PARA TEATRO, que pretende ser um espaço para que novos dramaturgos possam exercer e pensar a sua prática de escrita. Para além de contarmos com a presença dos autores que integram a segunda edição do LABORATÓRIO DE ESCRITA PARA TEATRO, os seus textos vão ser lidos pela primeira vez: O SONO É GRANDE de Cecília Ferreira, OS LUGARES DE ONDE VEMOS SENTADOS de Fernando Giestas, RATOS de Isabel Milhanas e TREVA de Sabrina Marques.

Em jeito de homenagem, o END oferece um espaço a Ruben A. (1920 — 1975), escritor português incontornável, com produção literária que se inscreve na segunda metade do século XX. Assim, propomos a leitura, dirigida por Ricardo Correia, de JÚLIA (1963), uma reescrita livre de COCKTAIL PARTY de T. S. Eliot, apresentada por Nascimento Rosa, responsável pelo prefácio do livro que reúne JÚLIA, TRIÁLOGO e RELATO 1453, publicado em 2007 pela Assírio & Alvim.

A programação do Festival integra também a apresentação dos últimos espetáculos escritos, dirigidos e, por vezes, interpretados pelos próprios dramaturgos que se assumem, assim, já não numa dicotomia autor-encenador, mas numa visão mais lata como autores de espetáculo. O END apresenta as duas primeiras experiências de encenação dos autores Mickaël de Oliveira, com A CONSTITUIÇÃO, e Miguel Castro Caldas com SE EU VIVESSE, TU MORRIAS. Ainda ROMANCE, o solo de Lígia Soares, ou o espetáculo IN THE FALL THE FOX, E NA QUEDA RAPOSAR de Sónia Baptista. Pedro Penim regressa igualmente à sua pesquisa pessoal sobre as novas “mitologias” dos lugares e identidades, explorando desta vez geografias do território nacional, em ANTES, que encerra o Festival.

Ainda no âmbito do END e à semelhança das demais edições, a programação inclui um projeto que pretende estabelecer uma ponte entre a reflexão e produção contemporâneas de teatro em língua portuguesa e as várias escolas do ensino superior e técnico que se dedicam ao ensino das artes de palco. Essa ponte transformou-se numa iniciativa que tem por nome a ESCOLA DO ESPECTADOR EMANCIPADO e que consiste no convite a dois alunos e um professor de instituições de ensino de todo o país a assistir a toda a programação, assim aproximando os estudantes de arte aos “fazedores” da dramaturgia contemporânea.

Ficha Técnica

direção artística Mickaël de Oliveira

direção de produção Elisabete Cardoso

apoio à produção Pedro Melim

direção de comunicação Marisa Santos

apoio à comunicação Catarina Pinto, Inês Duarte

produção executiva e coordenação do projeto Escola do Espectador Emancipado Cláudia Morais

direção técnica Filipe Silva

produção Colectivo 84

coprodução Colectivo 84 e Teatro Académico de Gil Vicente

apoio Ministério da Cultura / DGArtes

parcerias Agência de Promoção da Baixa de Coimbra, Café Teatro TAGV, Câmara Municipal de Coimbra, Casa da Escrita, Casa da Esquina, Casa de São Bento, Colégio das Artes, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra/Casa das Caldeiras, NS Hostel, Teatro Nacional D. Maria II, Universidade de Coimbra, Corps de Textes, EURODRAM

Informações Adicionais

27 março – 11h00 – Café Teatro TAGV

Apresentação do Festival

Com a presença de Mickaël de Oliveira (diretor artístico do projeto), Fernando Matos Oliveira (diretor do tagv) e Maria João Vicente (coordenadora do projeto EURODRAM em Portugal e membro fundador do Teatro da Garagem)

Café Teatro TAGV

Entrada livre

 

27 de março – 14h00 Casa da Escrita

Escrever para que pele?

Com Miguel Graça

O seminário Escrever para que pele? abre espaço para uma reflexão em torno do trabalho de escrita de um dramaturgo, momento para conhecermos com mais detalhe o que move o seu gesto de escrita quando o elabora para a cena. Assim, Miguel Graça, Cláudia Lucas Chéu e Ricardo Neves-Neves partilharão o que os preocupa, que pele vestem e para que peles escrevem, abordando a questão da intenção e do gesto estético e político, assim como os seus processos criativos.

Parceria Câmara Municipal de Coimbra

Dur. 2h00

Entrada livre, sujeita a inscrição

 

27 de março – 16h30 Colégio das Artes – Sala de Aula

O mundo e o teatro de Ruben A.

Apresentação de Armando Nascimento Rosa

Revisitar Júlia de Ruben A., uma peça de teatro com primeira edição em 1963, a única que o autor fez publicar em livro, e que a nossa cena teatral nunca se atreveu a enfrentar mais de meio século decorrido. E hoje, que coisas nos diz este texto polifónico com nome de mulher, de um autor a quem já apelidei de narrador dramático? Ruben A. seduziu-se seriamente pelo teatro, ao ponto de confessar em 1971 que, a seguir ao seu derradeiro romance (de nome Kaos), «só escreverei teatro, o que mais me apaixona pelo simples facto de não ter qualquer repercussão». Contrariemos então este luso vaticínio rubeniano, num dia em que o teatro se celebra a si mesmo, dando voz às vozes que a sua Júlia convoca.

 

Júlia – Leitura dirigida por Ricardo Correia
Com os leitores/atores Ana Vilela da Costa, Celso Pedro, Cláudia Carvalho, Miguel Lança, João Alves, Vânia Fernandes, Ricardo Correia e Sara Jobard.
Uma leitura Casa da Esquina a convite do END – Colectivo 84 e TAGV

Parceria Colégio das Artes da Universidade de Coimbra

Dur. 1h45

M12

Entrada livre

 

27 de março – 19h00 Galeria do Colégio das Artes 

Romance

Nos seus últimos trabalhos, Lígia Soares tem procurado possíveis formalizações de encarar uma perspetiva do contemporâneo que exige a copresença como única forma de ser experienciada. São trabalhos que se dirigem diretamente ao espectador, renovando a sua identidade, procurando ativá-la e tornando-a indispensável, reivindicativa da sua relação com um espaço que lhe foi sempre principalmente dedicado: uma sala de espetáculos.

Em Romance  as vozes e perspetivas plurais que fazem normalmente parte do seu trabalho são incluídas no texto como uma espécie de paródia à linguagem vigente num mundo ocidental do séc. XXI,  estabelecendo uma relação entre performance e espectador através de um dispositivo que faz com que o público se torne a voz que espelha o performer.

Criação, texto e interpretação de Lígia Soares

Apoio à Dramaturgia Miguel Castro Caldas

Conceção do Figurino Lígia Soares e Tânia Afonso

Design Gráfico Filipe Pinto

Fotografia Daniel Pinheiro

Produção Máquina Agradável

Apoios mala voadora, Teatro Praga e Primeiros Sintomas

Parceria Colégio das Artes da Universidade de Coimbra

Dur. 1h00

Lotação Limitada

M12

Entrada livre

 

27 de março – 22h00 Auditório TAGV

A Constituição

Em A Constituição, Mickaël de Oliveira faz uma reconstituição fiel das decisões mais importantes que os atores tomaram durante um curto período de tempo, isolados do mundo, de modo a criar a Constituição perfeita para uma comunidade imperfeita. Este espetáculo integra uma tetralogia dedicada à reflexão em torno das questões políticas, filosóficas e públicas, que orientam a nossa sociedade, composta por No(s) Revolution(s) (2015), A Constituição (2016), A Sauna (2017) e Sócrates tem de morrer (2017/2018).

Maria Leite, Miguel Moreira, Paulo Pinto e Pedro Lacerda são os heróis de uma nova sociedade, convidados a escrever uma nova Constituição, sendo que nenhum deles tem experiência na matéria. Propõem-se assim à redação da Constituição mais moderna de sempre e ao debate para descobrir a melhor forma de condensar nesse “super texto” as ideias que vão regular, libertar, oprimir e emancipar um certo futuro, apostando numa revisão total dos princípios que orientam o Estado.

Texto e encenação de Mickaël de Oliveira

Assistência de encenação Solange Freitas

Interpretação Maria Leite, Miguel Moreira, Paulo Pinto e Pedro Lacerda

Desenho de luz Rui Monteiro

Cenografia e figurinos António MV

Música Diogo Ribeiro

Direção de Produção Armando Valente

Produção Colectivo 84

Coprodução Teatro Nacional D. Maria II

Apoio Ministério da Cultura / DGArtes

Apoio à criação mala voadora

Parceria Teatro Académico de Gil Vicente

Dur. 1h30

Lotação Limitada

M16

5€ Especial Dia Mundial do Teatro

 

28 de março – 11h00 Casa da Escrita

Escrever para que pele?

Com Cláudia Lucas Chéu

O seminário Escrever para que pele? abre o espaço para uma reflexão em torno do trabalho de escrita de um dramaturgo, momento para conhecermos com mais detalhe o que move o seu gesto de escrita quando o elabora para a cena. Assim, Miguel Graça, Cláudia Lucas Chéu e Ricardo Neves-Neves partilharão o que os preocupa, que pele vestem e para que peles escrevem, abordando a questão da intenção e do gesto estético e político, assim como os seus processos criativos.

Parceria Câmara Municipal de Coimbra

Dur. 2h00

Entrada livre, sujeita a inscrição

 

28 de março – 14h30 Café TeatroTAGV

Ensina-se a escrever para teatro?

Debate moderado por Rui Pina Coelho, com Armando Nascimento Rosa, Carlos Costa, Jorge Palinhos e Miguel Castro Caldas.

Nos finais da segunda metade do século XX, a Europa conheceu não só um reforço na aposta do ensino artístico, multiplicando-se os cursos de estudos teatrais ou performativos, como viu nos seus programas a inscrição de uma prática celebrada por Brecht – a dramaturgia. Esta disciplina que procura, numa primeira fase, distinguir a prática da escrita da análise textual, tornou-se então incontornável nos programas do ensino técnico e superior no século XXI. A par da dramaturgia, uma nova disciplina emergiu com o nome genérico de escrita criativa vinculada sobretudo ao guionismo (por influência do ensino de tradição inglesa e americana). Contudo, os cursos de escrita criativa, ou oficinas de escrita, inseridos em alguns programas de ensino de literatura e de teatro deixaram já de ser a exceção, e encontram-se parcialmente mapeados por Catarina Moura no artigo Onde pára a escrita na Escrita Criativa? escrito em 2014 para o jornal Público (Cultura-Ípsilon).

Se a dramaturgia ensina a ler, a escrita criativa propõe ensinar a escrever. Mas como? Vinculadas a este “como” impõem-se algumas questões (legítimas e polémicas) sobre, por exemplo, o medo de criar e perpetuar padrões e modelos de escrita para teatro, numa prática tão subjetiva quanto delicada, atenta não só a uma tradição como a algo porvir.

Parceria Teatro Académico de Gil Vicente

Dur. 1h30

Entrada livre

 

28 de março – 16h30 Casa das Caldeiras – Sala do Carvão

Laboratório de Escrita para Teatro / TNDMII

Apresentação do projeto por Rui Pina Coelho, com os autores Lígia Soares, Cecília Ferreira, Fernando Giestas, Sabrina Marques e Isabel Machado. 

O Laboratório de Escrita para Teatro/TNDMII surge integrado num programa mais lato de apoio a dramaturgias emergentes e ao incentivo à nova dramaturgia portuguesa, consistindo na aproximação de jovens autores dramáticos a processos de partilha, experimentação e colaboração que possam desafiar, influenciar e estimular a escrita original de um texto para teatro.

Leitura dos textos da 2ª edição do Laboratório

O sono é grande de Cecília Ferreira, Os lugares de onde vemos sentados de Fernando Giestas, Ratos de Isabel Milhanas e Treva de Sabrina Marques.

Leitura participativa (com o público), dirigida por Nuno M Cardoso.

“A política das coisas” como moldura temática da edição de 2016/17 (2ª edição)

Ensaiando várias maneiras de narrar o século XX, Alain Badiou, no capítulo introdutório de Le Siècle (2005), declara: “Por exemplo, eu poderia perfeitamente fazer a seguinte afirmação: o século começa com a guerra de 1914-18 (uma guerra que inclui a Revolução de Outubro de 1917) e termina com o colapso da URSS e o fim da guerra fria. O século curto (setenta e cinco anos), um século fortemente unido. Numa palavra: o século soviético” (Badiou 2014: 1, t.m.). Em seguida, oferece outras formas de considerar o prolixo século XX, encontrando outras narrativas: tendo em conta os acontecimentos apocalíticos associados a crimes de Estado: o século dos totalitarismos; ou atendendo ao triunfo do capital e do mercado global: o século liberal.

Badiou propõe um “diagnóstico filosófico” (Žižek) do século passado, encontrando uma narrativa redentora que se opõe àquela que vê no século XX o fim de tudo: das utopias, das ideologias, da política, tudo sacrificado em prol do proveito económico. Da mesma forma, o teatro e a dramaturgia contemporânea têm sabido encontrar novas formas de prolongar, renovar ou reinventar as utopias do século XX, descobrindo novas pronunciações para o exercício de um teatro político e para uma efetiva interpelação do real.

Parceria Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Dur. 2h30

M12

Entrada livre

 

28 de março – 19h30 Galeria do Colégio das Artes

In the fall the fox, e na queda raposar

De Sónia Baptista

in the fall the fox, e na queda raposar é uma Performance em que a dimensão política e emocional da representação da identidade de uma pessoa, mulher, bicho, é revelada, analisada, procurada através de uma narrativa dramatúrgica pessoal, ou de uma nota biográfica que cristalizou um momento autobiográfico no tempo e o reconta, vulnerável. Narrativa patética de ambiguidades, enganos e desenganos. Tentativa de clarear o que se obscureceu por terceiros ou se toldou com segundas intenções. Primeiro, límpido se quer o olhar.

Criação, texto, espaço cénico, figurino e interpretação Sónia Baptista

Vídeo Joana Linda e Sónia Baptista

Ilustração Bárbara Assis Pacheco

Piano Lola A. Fox

Produção AADK

Coprodução Temps d’Images

Apoio Fundação Calouste Gulbenkian

Acolhimento Cão Solteiro

Agradecimentos Alexandre Lemos, Ana Vidigal, André Godinho, António Gouveia, Bahar Fattahi, Diogo Melo, Helena Nogueira Silva, Joana Dilão, Lara Torres, Margarida Bak Gordon, Paula Sá Nogueira, Simon Ellis, Vânia Rovisco

Parceria Colégio das Artes da Universidade de Coimbra

Dur. 1h00

M12

Entrada livre

 

28 de março – 22h00 Auditório TAGV

Se eu vivesse, tu morrias

De Miguel Castro Caldas

O título deste espetáculo é tirado do famoso epitáfio de Robespierre: “Passante, não chores a minha morte, se eu vivesse tu morrias.” O passante e Robespierre não podem estar vivos ao mesmo tempo e no entanto é isso que os dramaturgos e os atores fazem grosso modo no teatro: o dramaturgo morre, e o ator ressuscita-o sem ele próprio morrer.

Tomemos alguém que lê um texto em voz alta, em público, de papel na mão: estamos a deparar-nos com a simultaneidade da sua presença e da sua não-presença (tanto do texto como do leitor). Com este espetáculo queremos evidenciar a não-presença, a fantasmagoria, o outro acontecimento que não é aquele que os atores costumam afirmar como o aqui e o agora. Pôr ainda mais o morto em cena. Não vamos convocar os mortos para a vida, vamos convocar-nos nós para lá. E para isso pedimos ajuda ao texto que nos leve nesta viagem de morte. Página três; vamos começar.

Direção e texto Miguel Castro Caldas

Conceção Miguel Castro Caldas, Lígia Soares e Filipe Pinto

Cenário e figurinos Filipe Pinto

Cocriação e interpretação Lígia Soares, Miguel Loureiro e Tiago Barbosa

Cocriação de som, vídeo e luz Gonçalo Alegria

Pré-produção Marta Raquel Fonseca

Produção executiva Vânia Faria

Cocriação e assistência aos ensaios Catarina Salomé Marques

Coprodução Culturgest

Parceria Teatro Académico de Gil Vicente

Dur. 1h30

Lotação Limitada

M12

5€

 

29 de março – 11h00 Casa da Escrita

Escrever para que pele?

Com Ricardo Neves-Neves

O seminário Escrever para que pele? abre o espaço para uma reflexão em torno do trabalho de escrita de um dramaturgo, momento para conhecermos com mais detalhe o que move o seu gesto de escrita quando o elabora para a cena. Assim, Miguel Graça, Cláudia Lucas Chéu e Ricardo Neves-Neves partilharão o que os preocupa, que pele vestem e para que peles escrevem, abordando a questão da intenção e do gesto estético e político, assim como os seus processos criativos.

Parceria Câmara Municipal de Coimbra

Dur. 2h00

Entrada livre, sujeita a inscrição

 

29 de março – 14h30 Largo do Arco de Almedina – Baixa de Coimbra 

Veneno

De Cláudia Lucas Chéu, Leitura e performance com Albano Jerónimo

Veneno* é um texto para cena centrado na ideia da decadência da família e do patriarcado. Se a família é o paradigma do que deve ser um governo, ambos manifestam atualmente a ideia de crise. Veneno é um texto para ser dito na primeira pessoa, pelo Pai recentemente desempregado que sequestrou os três filhos, depois de assassinar a mulher e o amante. O pai e os filhos num espaço exíguo e em condições precárias. O sequestro dos meninos representa a incapacidade do Pai em aceitar a situação real, tornando todo o seu discurso num delírio verosímil acerca da sociedade e política, mas também acerca do amor. A falência do mundo interior e exterior torna-o violento. O Pai exerce poder e violência através da linguagem verbal. Os filhos (crianças) apenas falam na linguagem (estrangeira) do canto lírico. São dois universos diferentes: o do gueto e o da alta cultura (ou o do desespero e o da beleza). Há portanto um envenenamento recíproco, que se alimenta da incomunicabilidade. Veneno é um texto acerca dos tempos de falência e da inevitável tragédia familiar.

Parceria Agência de Promoção da Baixa de Coimbra

Dur. 45min

Entrada livre

* texto português selecionado pelo comité nacional Eurodram – rede internacional de tradução e divulgação de textos para teatro

 

29 de março – 16h30  Casa das Caldeiras – Sala do Carvão

Lugares#1

De Miguel Graça

Leitura dirigida e interpretada por Albano Jerónimo, Mafalda Lencastre e Maria Leite

Inspirado no relato de um dissidente do Estado Islâmico, Lugares #1 é uma peça curta que tem como pano de fundo a situação que se vive no Iraque e na Síria, principalmente desde a tomada de Mossul em 2014, sendo ao mesmo tempo uma reflexão sobre o tempo e a distância que nos separa dos outros, quer estejam noutro continente ou ao nosso lado.

Parceria Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Dur. 1h00

M16

Entrada livre

 

 

 29 de março – 18h30 Café Teatro TAGV

Uma coisa não é outra coisa

Uma conversa com José Maria Vieira Mendes e Fernando Matos Oliveira

Em Uma coisa não é outra coisa José Maria Vieira Mendes, dramaturgo e membro do Teatro Praga, persegue uma mitologia, associada às histórias do teatro moderno, que tendencialmente aponta uma tensão ou relação prioritária entre a literatura dramática e o teatro. Demonstrando como essa mitologia afeta e captura objetos artísticos, tanto literários como performativos, Vieira Mendes sugere que se olhe para estas duas artes e para a ideia de relação de uma outra forma.
Esse olhar permitiria descartar a ideia de distância entre as duas artes: “As distâncias são fruto de uma proposta de relação que alimenta frustrações e imobiliza identidades. Aquilo que proponho implica reconhecer o outro no encontro e identificar o óbvio: eu não sou tu. A diferença deixa de ser eterna e constante, passa a ser negociável, mutável e não dependente da semelhança. Acontece a cada momento, comportando simultaneamente o que é conhecido, as histórias e as certezas. Nisto participa no jogo da existência, no mundo em movimento”. Fernando Matos Oliveira, diretor do TAGV e docente na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, irá conversar com José Maria Vieira Mendes sobre algumas das ideias expostas no livro bem como o seu reflexo no trabalho de escrita dramática de Vieira Mendes publicada também em 2016 sob o título Uma coisa. Uma coisa não é outra coisa e Uma coisa foram publicados pelas edições Cotovia (2016)

 

29 de março – 22h00 Auditório TAGV

ANTES

De Pedro Penim

Muitas cidades ou países apresentam um malaise distinto. São lugares que podiam ser Portugal, de tão afundados numa dolorosa Saudade do passado, e onde cada tensão do presente é apenas a ponta de um iceberg que se explica em recuos sucessivos que podem ir até à origem das espécies, pelo menos. Esta nostalgia é muitas vezes apresentada como um diagnóstico, uma negação de um presente doloroso em oposição ao desejo de regressar a um passado glorioso. A convite da DEVIR (e em colaboração com o END – Festival Encontros de Novas Dramaturgias ’17 Pedro Penim cria um espetáculo que começou com uma residência na vila de São Brás de Alportel no Algarve (em tempos chamado gharb al-ʼandalus) e que se desenvolverá ao longo do ano de 2017.

Criação, texto e interpretação Pedro Penim

Adereços Pedro Morim

Iluminação Rui Monteiro

Parceria Encontros do DEVIR (Algarve), em colaboração com END – Festival Encontros de Novas Dramaturgias ’17 e TAGV

Dur. 40 min

Lotação limitada

M12

5€

* conversa com Pedro Penim após o espetáculo

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