A FLAUTA MÁGICA > Bergman Inesgotável

Seg 07 Dez 2015 | 18:30 | Auditório
berGMAN INESGOTÁVEL > CINEMA À SEGUNDA

Sinopse

Da autoria de Wolfgang Amadeus Mozart, A Flauta Mágica é uma das óperas mais conhecidas da história da música e ganhou um novo significado com esta adaptação cinematográfica de Bergman, realizada para a televisão sueca. Neste filme, materializa a sua paixão através desta obra filmada num teatro. A forma mágica e bela como este filme é apresentado torna a A Flauta Mágica numa obra indispensável para todas as idades, envolta numa atmosfera de fantasia e alegria. 

Ficha Técnica

Realização Ingmar Bergman

Com Josef Köstlinger, Irma Urrila, Håkan Hagegård 

Ano 1975

Data de estreia em Portugal julho de 2015 (versão restaurada) 

Parceria Leopardo Filmes

Festivais e Prémios

Prémio BAFTA TV 1976 – Melhor Programa Estrangeiro

Golden Globes 1976 – Nomeação Melhor Filme Estrangeiro

Informações Adicionais

Tinha doze anos quando vi pela primeira vez A Flauta Mágica na Royal Opera House em Estocolmo (…) Já tinha o meu teatro de marionetas. Representava principalmente as histórias que encontrava nas colecções de livros infantis. Havia quatro de nós com a mesma idade que estavam envolvidos no teatro. (…) Fazíamos tudo nós próprios: as marionetas, as roupas para cada marioneta, o cenário e as luzes. Tínhamos um palco giratório, um cenário que podia ser baixado e uma cortina panorâmica. Tornámo-nos cada vez mais sofisticados na escolha das nossas peças. Cada vez mais, comecei à procura de peças que requeressem iluminação complicada e mudanças frequentes de cenário. Por estas razões, parece-me bastante natural que A Flauta Mágica começasse a ocupar um grande lugar na imaginação do director deste teatro. Uma tarde, o director viu A Flauta Mágica e decidiu fazer uma produção da peça. Infelizmente, o projecto
caiu por terra porque para nós era demasiado caro comprar uma versão completa da ópera.

A Flauta Mágica tornou-se a minha companheira ao longo da vida. (…) Algum tempo mais tarde, fui para o Malmö City Theater. No palco principal, eram produzidas pelo menos duas óperas em cada época, e eu votei ardentemente para encenarmos A Flauta Mágica. Estava ansioso por encená-la eu próprio. Isso poderia ter acontecido, caso o teatro não tivesse contratado um encenador de ópera alemão durante um ano inteiro. Ele tinha cerca de 60 anos e ao longo da sua extensa carreira tinha encenado a maior parte das óperas existentes. Foi natural que ele dirigisse A Flauta Mágica, uma performance gigantesca e monumental. Fiquei duplamente desapontado.

Existe uma outra linha que se funde com o meu amor por A Flauta Mágica. Enquanto rapaz, adorava vaguear. Um dia de Outubro, fui até Drottningholm (em Estocolmo) para ver o seu teatro de corte único, datado do século dezoito. Por alguma razão, a porta para o palco estava destrancada. Entrei e vi pela primeira vez aquele teatro de corte barroco, cuidadosamente restaurado. Lembro-me perfeitamente da experiência encantadora que foi: o efeito de claro-escuro, o silêncio, o palco.

Na minha imaginação, sempre vi A Flauta Mágica a ganhar vida dentro daquele velho teatro, naquela caixa acústica de madeira, com o seu palco inclinado e as suas cortinas. Aqui reside a nobre, mágica ilusão do teatro. Nada é, tudo representa. No momento em que sobe a cortina, manifesta-se um acordo entre o palco e o público. E agora, juntos, vamos criar! Por outras palavras, é óbvio que o drama de A Flauta Mágica deveria passar-se num teatro barroco.

A semente foi plantada no final de 1960. Durante anos, a Swedish Radio Orchestra protagonizou concertos públicos no Circus em Djurgarden. (…) Uma noite, encontrei-me com o então director do departamento da Swedish Radio, Magnus Enhörning. Ficámos a conversar durante o intervalo, e eu afirmei que aquele seria o local ideal para encenar o Oedipus Rex de Stravinsky. ‘Vamos a isso’, disse ele. (…). Enhörning perguntou se eu tinha mais alguma sugestão para propor, e eu disse ‘Quero fazer A Flauta Mágica para a televisão’. ‘Óptimo, vamos fazer isso também’, disse Enhörning, e esta é a versão curta e longa de como chegámos a esta decisão. (…) Sem o entusiamo de Magnus Enhörning, A Flauta Mágica nunca teria sido criada. Ele foi incansável e, não sendo inexperiente, sabia todos os truques e sabia também como tomar as melhores decisões.

Primeiro, precisávamos de um maestro. Perguntei a Hans Schmidt-Isserstedt, um velho amigo.
No seu sotaque intimidante ele respondeu: ‘Nein, Ingmar, nicht das alles noch mal! (não, Ingmar, pela última vez, não!)’ Essa era exactamente a forma de responder ao paradoxo de A Flauta Mágica: musicalmente, é dificílimo. Apesar disto, o maestro é raramente recompensado pelo seu esforço.

Depois, recorri a Eric Ericson, que eu admirava e respeitava como maestro. Ele respondeu com um não definitivo. Mas eu não desisti. Ele tinha todas
as qualidades que eu procurava num maestro: um calor na sua abordagem à música, uma paixão pela interpretação, e – acima de tudo – um sentido vocal natural, o qual ele tinha desenvolvido durante a sua fabulosa carreira como maestro de coro. Finalmente, ele aceitou.

Uma vez que não estávamos a representar A Flauta Mágica num palco mas em frente a um microfone e uma câmara, não precisámos de vozes muito altas. O que precisávamos era de vozes quentes e sensuais que tivessem personalidade. Para mim era absolutamente essencial que a peça fosse representada por jovens actores, mais perto naturalmente de mudanças entre alegria e tristeza, entre pensar e sentir. Tamiro devia ser um jovem bonito. Pamina devia ser uma jovem bela. Já para não falar de Papageno e Papagena.”

Ingmar Bergman em Images: My Life In Film

Duração do Espectáculo

2H15

Faixa Etária

M/12

Preçário

€4
€3 [< 25, Estudante, > 65, Grupo ≥ 10, Desempregado, Parcerias]
€12 [4 filmes // Ciclo Bergman Inesgotável]
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