A FORÇA DO SEXO FRACO

Seg 12 Out 2015 | 18:30 | Auditório
BERGMAN INESGOTÁVEL > CINEMA À SEGUNDA

Sinopse

Cornelius, um pretensioso crítico de música, está a redigir a biografia de um famoso violinista. Para conseguir material, hospeda-se em sua casa por alguns dias. Embora não consiga entrevistá-lo, fala com as várias mulheres que vivem e trabalham com ele, acabando por tomar conhecimento de alguns detalhes da vida privada do músico. O crítico decide então usar a informação obtida para chantagear o violinista, fazendo com que toque uma composição de sua autoria.

Este é o primeiro filme de Ingmar Bergman a cores e é considerado um dos trabalhos mais singulares da sua carreira, pela diferença que marca em relação a todas as suas outras obras. Uma comédia sobre a arte e suas ambivalências.

Ficha Técnica

Realização Ingmar Bergman

Argumento Ingmar Bergman e Erland Josephson

Com Bibi Andersson, Harriet Andersson, Eva Dahlbeck e Jarl Kulle

Ano 1964

Título Original All These Women

País Suécia

Data de estreia em Portugal 25 de junho de 2015

Parceria Leopardo Filmes

Informações Adicionais

A Força do Sexo Fraco (título relativamente enganador quando comparado com o que o original quer dizer: algo como ‘todas essas mulheres’) é um dos filmes de Bergman habitualmente mais esquecidos e/ou subvalorizados.

(…)

Isto será tudo uma questão de ponto de vista, mas ninguém negará que as ‘anomalias’ (aceitemos A Força do Sexo Fraco como uma), pelo menos quando estamos a falar de cinema, são sempre uma coisa interessante e intrigante. É isso que se passa neste filme, obra curiosíssima e, sobretudo, misteriosíssima. O mistério começa na sua tipificação. Toda a gente nos diz, o próprio Bergman no-lo diz, que se trata de uma ‘comédia’. Talvez fosse preciso dizer, mais exactamente, que se trata de uma farsa, e portanto não apenas uma ‘comédia’ mas a exploração de um género cómico com fortíssimas raízes teatrais e eventualmente musicais (não estaremos, pelo menos nalguns momentos de A Força do Sexo Fraco, muito longe de uma opereta, ou de uma ópera bufa). Dizendo de outra maneira: um filme onde o decisivo não é a ‘comédia’, mas a ‘mise en forme’ da comédia. Seria nisto que os comentadores de Bergman que insistem em medir o fracasso deste filme pelo facto de ele ‘não ter piada’ talvez devessem pensar com um pouco
mais de atenção. Porque, de facto, A Força do Sexo Fraco de comédia tem apenas a forma, a estrutura ‘fárcica’ e farsante, como sublinhado absoluto da representação e do artificialismo.

E o abismo que aí se desenha, no espaço entre, por um lado, a euforia e movimento constante do que é da ordem da farsa, e por outro a viagem labiríntica às memórias (memórias ‘vivas’: a sua casa, e ‘todas as suas mulheres’) de um homem morto é de molde a suscitar vários tipos de perturbação que pouco ou nada têm que ver com o riso.

Tem mais a ver com medo, com algum medo pelo menos: a farsa (e se Bergman experimentou registos cómicos em mais do que um momento da sua obra, nunca mergulhou tão fundo na sua farsa) serve ao cineasta sueco para fazer incidir sobre o filme um espelho deformador, oferecendo-lhe contornos de celebração grotesca e não pouco ‘cavernosa’.

Nesta perspectiva, a ‘anomalia’ constituída por A Força do Sexo Fraco é algo de fascinante.”

Luís Miguel Oliveira, As Folhas da Cinemateca – Ingmar Bergman, Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema 

Duração do Espectáculo

1H20

Faixa Etária

M/12

Preçário

€4
€3 [< 25, Estudante, > 65, Grupo ≥ 10, Desempregado, Parcerias]
€12 [4 filmes // Ciclo Bergman Inesgotável]
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