GATA EM TELHADO DE ZINCO QUENTE // ARTISTAS UNIDOS

Qui 23 Out 2014 | 21:30 | Sala Principal
DE TENNESSEE WILLIAMS // ENCENAÇÃO DE JORGE SILVA MELO

Sinopse

Gata em Telhado de Zinco Quente é uma tragédia: a passagem do mundo velho a um novo que não há meio de nascer. No trágico Sul de Tennessee Williams tudo se agita em volta do dinheiro. Estreada em Nova Iorque em 1955 com direcção de Elia Kazan, esta peça ficou célebre graças ao belíssimo filme com Elizabeth Taylor, Paul Newman e Burl Ives nos papéis principais. No entanto, quer a versão de Kazan, quer o filme realizado por Richard Brooks em 1958 evitaram muitos dos problemas da peça original. Será possível devolver ao teatro aquilo que aparentemente o cinema fixou para sempre? Será possível voltar a fazer estas peças sem as cores esplendorosas de Hollywood? Será possível ver outra vez Maggie, a Gata como uma aventureira que a falta de dinheiro cega? Será possível voltar a pôr no palco estes dilemas, esta ansiedade, esta sofreguidão? Eu aposto que sim. Mas é uma peça de teatro. [Jorge Silva Melo]

Festivais e Prémios

Gata em Telhado de Zinco Quente de Tennessee Williams

Tradução Helena Briga Nogueira

Encenação Jorge Silva Melo

Interpretação Catarina Wallenstein (Maggie), Rúben Gomes (Brick), Américo Silva (Papá Pollit), Isabel Muñoz Cardoso (Mamã Pollit), João Meireles (Reverendo Tooker), João Vaz (Dr. Baugh), Tiago Matias (Gooper), Vânia Rodrigues (Ema), Rafael Barreto (Sookey), Inês Laranjeira (Dixie) Margarida Correia (Trixie)e os meninos Inês Borges e Pedro Borges

Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves

Construção Thomas Kahrel

Luz Pedro Domingos

Som André Pires

Operação de Som Flávio Martins

Fotografia Jorge Gonçalves

Assistência Leonor Carpinteiro

Produção Executiva João Meireles e João Chicó

Uma Produção Artistas Unidos, Teatro Viriato, Fundação Centro Cultural de Belém, Teatro Nacional S. João, com o apoio do Centro Cultural do Cartaxo

Informações Adicionais

“Perguntam-me sempre qual é a minha peça preferida. Elas são tantas que a memória me falha e respondo sempre «a última». Ou então, sucumbo ao instinto de dizer a verdade e respondo: Penso que talvez seja a versão escrita da Gata em Telhado de Zinco Quente.” [Tennessee Williams, Memoirs]

 

São tão extraordinários, tão dotados, tão livres os actores que tenho vindo a ver surgir, tão únicos, é tão extraordinária a liberdade e a integridade conseguidas nestes já quase 20 anos dos Artistas Unidos. E estava a ver as rugas começarem a surgir, os cabelos brancos a aparecer e dei um berro: não quero que estes actores a quem tudo devo, a vida, a arte, o amor, tudo, a vida de todos os dias, não quero que percam aqueles papéis que foram escritos para eles, não quero deixar passar o tempo, quero ver a Catarina Wallenstein, quero ver o Rúben Gomes, sim, o Américo Silva, a Isabel Muñoz Cardoso, a Vânia Rodrigues quero vê-los a decifrarem comigo as tortuosas peças de Tennessee Williams, aqueles papéis que agora podem fazer, agora mesmo, sem deixar para outro século. Gostei, no outro dia, de ler o meu Peter Stein dizer ao jornalPúblico: “nunca quis ser encenador quando era novo, queria só ajudar uns actores.” É tal qual: ajudar uns actores que admiro, encontrar teatros, dinheiro, tempo, colegas, roupas para eles nos darem o que só os actores sabem, lágrimas, risos, suores, no fundo, abraços estreitos durante a noite. Foi assim que nasceu esta ideia de revisitar Tennessee Williams, gostava de fazer três das suas peças (esta Gata, Doce Pássaro, a Noite da Iguana – mas quando? onde?), peças de outros tempos, de outros palcos, peças que saberei ajudar a fazer. Pois só isso agora desejo: ajudar a fazer. E que cada espectador possa guardar dentro de si a extraordinária liberdade destes artistas maravilhosos cuja disponibilidade e grandeza não sei se merecemos. [Jorge Silva Melo]

 

Os Artistas Unidos formaram-se a partir do grupo que estreou, em 1995, António, um Rapaz de Lisboa de Jorge Silva Melo. Foi com espectáculos de elenco numeroso, peças sobre o aqui e agora ou outras do passado explicitamente políticas, que se fizeram os primeiros tempos da companhia: O Fim ou Tende Misericórdia de NósPrometeu (de JSM), A Queda do Egoísta Johann Fatzer de Brecht, Coriolano de Shakespeare. O Seminário Sem Deus nem Chefe, realizado na Antiga Fábrica Mundet do Seixal, em que foram criadas cinco pequenas produções, cada uma coordenada por um actor que nela participava, serviu de ensaio para os dois anos e meio de trabalho n’A Capital / Teatro Paulo Claro, encerrada pela CML em 29 de Agosto de 2002. Nesse período intenso, a aposta foi na dramaturgia contemporânea: Sarah Kane, Gregory Motton, Jon Fosse, David Harrower, Mark O’Rowe, Xavier Durringer, Spiro Scimone; Jorge Silva Melo, José Maria Vieira Mendes, Rui Guilherme Lopes e Francisco Luís Parreira entre os portugueses. Escolheram-se clássicos: Melville, Kleist, Kafka, Beckett, Pinter. Foram trinta estreias, vários acolhimentos e co-produções, seminários, leituras encenadas (como as dedicadas ao teatro escocês e neerlandês, ou às obras de Sarah Kane, Arne Sierens, Antonio Onetti). Com o fecho d’A Capital, depois de apresentarem Baal de Brecht, os Artistas Unidos mudaram-se para o Teatro Taborda, onde estiveram até Junho de 2005. Revelaram autores como os Irmãos Presniakov, Anthony Neilson, Davide Enia, Jean-Luc Lagarce, Pinter, Scimone, Judith Herzberg, Jon Fosse, José Maria Vieira Mendes; e Joe Orton e Jacques Prévert. Em 2006, e depois de terem renunciado à utilização do Teatro Taborda, os Artistas Unidos estiveram instalados no Antigo Convento das Mónicas onde estrearam Antonio Tarantino, Juan Mayorga, Vieira Mendes e Gerardjan Rijnders, enquanto noutras salas apresentavam espectáculos de Judith Herzberg, Enda Walsh, Pier Paolo Pasolini, Jesper Halle, Miguel Castro Caldas, Jorge Silva Melo ou José Maria Vieira Mendes. Além dos espectáculos e da produção de filmes, os Artistas Unidos organizaram exposições de Sofia Areal, Álvaro Lapa, Pedro Proença, Xana, Pedro Chorão, Miguel Ribeiro, Michael Biberstein, Ana Isabel Miranda Rodrigues, Sérgio Pombo, Barbara Lessing, Ana Vieira, Ângelo de Sousa, Manuel San Payo, Ivo, Nikias Skapinakis, Jorge Martins.

Duração do Espectáculo

2h00

Faixa Etária

M/12

Preçário

€7
€5 [< 25, Estudante, > 65, Grupo + 10, Desempregado, Parcerias]
Grupo + 10 [Oferta 2 bilhetes na compra de 10 ingressos]
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