NOVA, CALEDÓNIA // DE ANDRÉ GUEDES E MIGUEL LOUREIRO

Qui 12 Fev 2015 | 21:30 | Auditório // lotação limitada // palco
Coprodução Culturgest

Sinopse

Com o fim da experiência da Comuna de Paris de 1871, momento com que escolhemos terminar o espetáculo anterior (como rebolar alegremente sobre um vazio Exterior, Alkantara Festival 2010), uma parte dos revolucionários foi deportada para um lugar paradoxal, a Nova Caledónia. Paradisíaco e selvagem, o cruel novo território constituiria um lugar impossível para prosseguir o “projeto social” da Comuna, um lugar improvável para a implementação de um programa politicamente atuante ou relevante. Aí, e porventura contradizendo os seus ideais, os communards tiveram com os nativos caledónios uma relação praticamente inexistente, ou mesmo reativa, nomeadamente aquando da insurreição canaque em 1878. Em 1880, após sucessivas démarches politicas (Clémenceau, Blanqui) e a demissão do presidente Mac-Mahon, foi-lhes finalmente concedida a amnistia. Praticamente todos os que sobreviveram a este degredo regressaram a França, muitos a Paris, cidade em compasso decidido rumo a uma Belle Époque. Na esteira daquilo que nos motivou na obra anterior, projetámos para este segundo andamento um itinerário múltiplo sobre o fim dos projetos comunitários de pendor bélico e romântico que são as revoluções; sobre a influência do espaço geográfico na estrutura de uma ideia; a noção de paraíso terrestre ligada aos mares do Pacífico Sul, e as utopias criadas nessas latitudes; a convivência entre o anacrónico e o sincrónico. Chamámos a isto Nova, Caledónia. André Guedes e Miguel Loureiro

Ficha Técnica

Direção artística e dramaturgia André Guedes e Miguel Loureiro

Interpretação Crista Alfaiate, Cristina Carvalhal, João de Brito e Miguel Loureiro

Espaço e elementos cénicos André Guedes e Miguel Loureiro

Tradução (do Francês ao Português) Luís Lima Barreto, Fátima Ferreira

Iluminação Daniel Worm d’Assumpção

Som Tiago Martins

Apoio ao movimento Miguel Pereira, Sérgio Matias

Assistência de ensaios Sara Graça

Assistência de iluminação e operação de luz Eduardo Abdala

Figurinos Alda Cabacinha (confeção), TNDMII e TEC (empréstimo)

Cabelos Gonçalo Ferreira de Almeida

Registo fotográfico e vídeo Pedro Filipe Marques

Coprodução Culturgest

Produção O Rumo do Fumo

Residências Espaço Alkantara

Apoios CML/DMEV/Quinta da Fonte, Forum Dança, Jardim Botânico de Lisboa, Teatro Experimental de Cascais, Teatro Nacional D. Maria II

Agradecimentos Artur Madeira e Guilherme Teixeira (Divisão de Manutenção de Espaços Verdes da CML), Maria Teresa Antunes (Jardim Botânico da Universidade de Lisboa), João Mourão, Carlos Bártolo, Sara Carinhas.

Imagem divulgação Deportados da Comuna e nativos na Ilha dos Pinheiros, Nova Caledónia. Composição a partir de fotografia de Allan Hughan, 1973, ÓAGML

O Rumo do Fumo é uma estrutura apoiada por GOVERNO DE PORTUGAL – SECRETÁRIO DE ESTADO DA CULTURA / DIREÇÃO-GERAL DAS ARTES

Informações Adicionais

A Nova Caledónia é um arquipélago da Oceânia situado na Melanésia, junto ao Trópico de Capricórnio. O seu clima é tropical. Ao contrário de outras ilhas do Pacífico, com uma origem vulcânica recente, este território é um antigo fragmento da porção meridional do continente da Pangeia que se separou por deriva continental da Austrália há 85 milhões de anos. Isso motiva a particularidade da sua fauna e flora exuberantes serem comuns a outras espécies da América do Sul, Nova Zelândia, Tasmânia e Austrália. De acordo com fragmentos de cerâmica Lapita ali encontrados, os primeiros habitantes terão chegado ao território há cerca de 3000 anos. O povo nativo é descendente de ciclos migratórios iniciados no litoral sul da China há cerca de 6000 anos que passaram por Taiwan, as Filipinas, os arquipélagos indonésios e da Nova Guiné.

Na época moderna, sobretudo no século XIX, como aconteceu em outros países do oceano Pacífico, a Nova Caledónia foi sujeita ao surto colonialista que transformou a estrutura política, social e cultural das suas sociedades indígenas. Esse passado mantém-se de alguma forma presente no actual modelo político-administrativo ligado ainda a França. Proclamada colónia francesa em 1853, o seu estatuto é o de “colectividade francesa ultramarina”, estando previsto entre 2014 e 2019 a realização de um referendo nacional com vista ao futuro institucional do país enquanto autonomia ou não relativamente à República Francesa.

Neste momento do processo de reflexão sobre o projecto o título ‘Nova, Caledónia’ constitui uma matriz visual e histórica, mas também suporte possível de abstracção sobre o qual pretendemos erguer a narrativa. Se a evocação directa desse território nos interessa – a sua geografia, as suas práticas sociais e culturais, a história política na transição histórica nos séculos XIX e XX, o encontro com o outro antropológico – interessa-nos também as possibilidades de transgressão que esta matriz possam conter. A inflexão que a vírgula no título representa, tem justamente a ver com a criação de um momento de suspensão e reposicionamento histórico e morfológico sobre a convenção de um lugar.

André Guedes e Miguel Loureiro

 

MIGUEL LOUREIRO IFICT – Instituto de Formação, Investigação e Criação Teatral. Escola Superior de Teatro e Cinema. Seminário The Rhetorics of Testing, com Jan Ritsema e Bojsana Cvejic,Fundação Gulbenkian, 2002.

Intérprete em espectáculos de teatro, ópera e performance com Nuno Carinhas, Luis Miguel Cintra, Bruno Bravo, João Grosso, Luís Castro, André Guedes, Pedro Barateiro, Sara Carinhas, Lúcia Sigalho, Maria Duarte, Álvaro Correia, Jean -Paul Bucchieri, Carlos Pimenta, André e. Teodósio e João Pedro Vaz; como encenador, com estruturas como o Cão Solteiro, O Rumo do Fumo, Galeria ZDB e Mala Voadora.

Entre as suas encenações, destaquem -se as mais recentes: Fábulas de Esopo (no espaço Há-Que-Dizê-Lo); Vida de Maria, a partir de Rainer Maria Rilke (O Rumo do Fumo/São Luiz Teatro Municipal, 2011); e como rebolar alegremente sobre um vazio Exterior (2010), com André Guedes (festival Alkantara 2010). É autor de várias performances, nomeadamente: MINAJesque (Casa Conveniente, 2013); e Experimentalismo Social (Há-Que-Dizê-Lo, 2013). Por Juanita Castro (Casa Conveniente, 2008), recebeu uma Menção Honrosa da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro. Recebeu ainda o Prémio de Interpretação do Concurso Teatro na Década, em 1997, por Contos do Ócio. Nomeado para o Prémio de Teatro Europeu – Novas Realidades Teatrais.

Director Artístico do colectivo 3/quartos, fundado em Agosto de 2011.

Escreveu a peça Pergunta a Duquesa ao Criado:’ Ciclo Leituras no Mosteiro, TNSJ, 2012.

 

ANDRÉ GUEDES Licenciou-se em Arquitectura na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa (1996) e frequentou o mestrado de Antropologia do Espaço na Universidade Nova de Lisboa (2001-2002). Realiza desde 2012 o doutoramento em Arte Contemporânea no Colégio da Artes da Universidade de Coimbra. Recebeu em 2007 o Prémio de Artes Plásticas União Latina.

As suas obras foram apresentadas em diversas instituições, nomeadamente: Centro de Arte Moderna/Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa; Biennale de Rennes; Gasworks, Londres; Kunsthalle Lissabon; Colexio de Fonseca, Santiago de Compostela; Galeria Crèvecoeur, Paris; Centro Cultural Montehermoso, Vitoria; The Bluecoat, Liverpool; Galeria Miguel Nabinho, Lisboa; Chiado 8, Lisboa; Galeria Lisboa 20, Lisboa; Museu de Serralves, Porto; Fundación Marcelino Botín, Santander; Center Sodobnih Umetnosti, Celje; De Appel, Amesterdão; Bienal de Atenas; Dunkers Kulturhus, Helsinborg; Koldo Mitxelena, San Sebastian; Museu das Comunicações, Lisboa; Palais de Tokyo, Paris.

Concebeu o espaço cénico e os figurinos para as coreografias Bons Sentimentos, Maus Sentimentos e como rebolar alegremente sobre um vazio interior de Vera Mantero, Hors Sujet ou Le Bel Ici de Martine Pisani, e Notas para um espectáculo invisível de Miguel Pereira.

Foi co-autor dos espectáculos Aqui Também Acabou com a companhia de teatro Cão Solteiro, e de como rebolar alegremente sobre um vazio Exterior com Miguel Loureiro.

 

CRISTA ALFAIATE Inicia a sua formação artística no Teatro da Comuna. Em 2004 termina o curso em Formação de Atores da Escola Superior de Teatro e Cinema.

Tem trabalhado enquanto atriz com diferentes criadores como João Brites no Teatro O Bando, Jorge Andrade na Mala Voadora, João Pedro Vaz e Comédias do Minho, Jorge Silva Melo nos Artistas Unidos, Miguel Loureiro, Giacomo Scalesi, Rogério de Carvalho, Gonçalo Amorim, Joana Providência entre outros.

Bolseira de Inov-Art em 2011, em Nova Iorque com a companhia de Teatro Elevator Repair Service.

Integrou a École des Maitres em 2013, com Constanza Mackras.

Em 2014, cria em parceria com Carla Galvão o projeto Lá fora.

No cinema destaca a sua participação nas longas metragens A espada e a Rosa de João Nicolau, 4 copas de Manuel Mozos e As mil e uma noites de Miguel Gomes.

 

CRISTINA CARVALHAL Licenciada em Teatro-Educação pela Escola Superior de Teatro e Cinema, iniciou a sua actividade como actriz, em 1987, no teatro, experimentando posteriormente o cinema e a televisão. No teatro trabalhou com Nuno Cardoso, Nuno Carinhas, Sandra Faleiro, Carlos J. Pessoa, Tiago Rodrigues, Mónica Calle, Fernanda Lapa, Fernando Gomes, João Lourenço, entre outros.

Em 2004 criou a sua própria estrutura de produção teatral (www.causascomuns.net) e tem dirigido diversos espectáculos. Uma Família Portuguesa foi apresentado em Turku, Capital Europeia da Cultura 2011. A Orelha de Deus recebeu o Prémio Autores 2010 Teatro – Melhor Espectáculo atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores. Foi co-fundadora da companhia teatral Escola de Mulheres. Lecciona habitualmente em diversas escolas superiores.

 

JOÃO DE BRITO Licenciado em Teatro – Formação de Actores, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Complementou a sua formação com: Victor Hugo Pontes, João Mota, Miguel Borges, Miguel Seabra, Nuno Pino Custódio, Luca Aprea, entre outros. Trabalhou em Teatro com: Teatro Experimental do Porto (Gonçalo Amorim), Teatro dos Aloés (José Peixoto e Jorge Silva), Artistas Unidos (Jorge Silva Melo), Teatro O Bando (João Brites), Colectivo 84 (Nuno M. Cardoso), Projecto Ruínas (Carlos Marques), Giacomo Scalisi, Miguel Fragata, Marta Lapa, Tiago Cadete, Marco Paiva, Yola Pinto, Cristina Carvalhal, Paulo Lage, Ávila Costa, entre outros.

Em Cinema trabalhou com Maria Pinto, Philip Rylatt, Telmo Vicente e Margarida Gil. Participou em séries de televisão, publicidade e locuções.

Colabora com o Serviço Educativo da Culturgest desde 2010. Cofundador e Director da Associação LAMA (Laboratório de Artes e Media do Algarve).

Duração do Espectáculo

1h30

Faixa Etária

M/12

Preçário

€7
€5 [< 25, Estudante, > 65, Grupo ≥ 10, Desempregado, Parcerias]
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