PASOLINI // PASOLINI – 40 ANOS

Seg 19 Jan 2015 | 21:30 | Auditório
DE ABEL FERRARA // CINEMA À SEGUNDA

Sinopse

O filme sobre o último dia de vida do poeta, realizador e intelectual italiano, é exibido no âmbito do Ciclo do TAGV Pasolini – 40 Anos.   Um dia, uma vida. Roma, na noite de 2 de  novembro de 1975. O grande poeta e cineasta italiano Pier Paolo Pasolini é assassinado. Pasolini é um símbolo de uma arte que batalha contra o poder. Os seus escritos são escandalosos, os seus filmes são perseguidos pelos censores, muita gente o ama e muitos o odeiam. No dia da sua morte, Pasolini passa as últimas horas com a sua amada mãe e mais tarde com os amigos mais próximos, e finalmente sai para a noite no seu Alfa Romeo em busca de aventura na cidade eterna. Pela aurora, Pasolini é encontrado morto numa praia em Ostia nos arredores da cidade. Num filme flutuante e visionário, uma mistura de realidade e imaginação, Abel Ferrara reconstrói o ultimo dia do grande poeta.

Ficha Técnica

Argumento Maurizio Braucci e Abel Ferrara

Uma ideia de Nicola Tranquillino e Abel Ferrara

Realização Abel Ferrara

Interpretação Willem Dafoe, Riccardo Scamarcio, Ninetto Davoli, Maria de Medeiros

Fotografia Stefano Falivene

Título Original Pasolini

Data de estreia em Portugal 1 de janeiro 2015

Parceria Leopardo Filmes

Festivais e Prémios

Festival de Veneza

Toronto International Film Festival

Lisbon & Estoril Film Festival 2014

 

Informações Adicionais

Qual foi a sua primeira experiência com um filme de Pasolini? “Decameron”. Vi-o quando tinha 19 anos.

E o que o fascinou? A liberdade. Eu vi o filme com 19 anos e voltei a vê-lo há dois meses, continua a ser alucinante. Vi-o da primeira vez numa sessão dupla, com “A Quadrilha Selvagem” [de Sam Peckimpah], e esquece – são dois filmes de dois realizadores incrivelmente brilhantes a perseguirem as suas visões pessoais. Quando faziam os filmes, se viam onde queriam chegar era para lá que caminhavam. Não se deixavam escravizar com a porra dos prazos contratuais, não se deixavam escravizar com a porra do que estava escrito no argumento, não se deixavam escravizar por porra nenhuma. Eram uns gajos que estavam vivos, que estavam a experimentar e a seguir as suas paixões e os seus amores – e isso vê-se nos filmes. O cinema de Pasolini era isso, paixão e compaixão. Está bem, e tinha um intelecto brilhante, pronto […]

E as roupas, os locais de filmagem, a casa, os objetos – são elementos muito importantes no filme, como é que os escolheu? Nós tivemos o apoio da família de Pasolini, a prima cedeu-nos cartas que nunca ninguém tinha visto. As roupas? Eram as roupas dele, pá, o Willem usou algumas das roupas dele. E os objetos, eram coisas que se podiam sentir, a máquina de escrever, até o livro, aquele livro que se vê no fim do filme, era o livro dele. Quando ela me deu aquele livro eu quase chorei, pá.»

O realizador Abel Ferrara em entrevista a Jorge Leitão Ramos, Expresso

 

Todo o tom do que ele dizia era bastante inquieto e agitado, preocupado com as mudanças antropológicas na sociedade. Do seu ponto de vista, havia uma sensação de luta, uma desilusão com o modo como a sociedade se estava a desenvolver, em direcção a algo de anestesiante, que roubava às pessoas a sua humanidade, a sua identidade e a sua alegria. Penso que ele se sentia muito ameaçado e preocupado com isso, mas ao mesmo tempo abraçava a ideia de lutar contra isso com tudo o que tinha, através do seu trabalho. Gosto muito dessa [sua última] entrevista. Não é apenas uma visão preocupada ou deprimida do caminho que a sociedade estava a tomar. É também um apelo às armas. Ele está verdadeiramente a dizer que vai continuar a lutar por tudo o que é belo e humano.

O actor Willem Defoe em entrevista a Jorge Mourinha, Público

 

Autêntica dança de memórias capaz de se agarrar à pele, Pasolini é já um dos grandes acontecimentos deste ano de 2015.
Rui Pedro Tendinha, Diário de Notícias

 

[…] Abel Ferrara – ele que, já se sabe, marra sempre de frente – lançou-se aqui noutro biopic ‘sem género’ (tal como o é “Welcome to New York”, vago retrato de Dominique Strauss-Kahn ainda por estrear em sala). ‘Sem género’, em primeiro lugar, porque se afasta radicalmente do endeusamento para se preocupar com os factos, pessoas, gestos banais do quotidiano que jogam com o efeito de um documentário: Pasolini no aconchego do lar acabado de desembarcar de um avião, em casa da mãe, a almoçar na companhia da sua atriz-fétiche, Laura Betti (papel muito feliz de Maria de Medeiros, já agora), ou a partir, após o jantar (era o que fazia sempre que podia), em busca de mais um engate com jovens moços do proletariado romano – e tudo filmado com um rigor factual assinalável, impermeável a polémicas. Todas estas cenas são de uma humanidade desarmante, nem sempre comum ao cinema de Ferrara.

Filme biográfico afastado dos cânones, também porque Ferrara, próximo dos amigos mais chegados de Pasolini (a sua família, Ninetto Davoli, que surge num curto papel; aliás, Ferrara ficou tão próximo que a roupa que Dafoe veste no filme era do próprio Pasolini…), não só aposta num gesto de desmistificação (veja-se a leitura, afinal tão acidental e tão possível, que aqui se dá da morte do poeta) como desvia o filme para o seu terreno habitual: aquele em que a crueldade do destino é o que mais conta. […] “Pasolini” é fiel à essência que o italiano representa na arte do século XX, sem deixar de ser uma assinatura de Ferrara por inteiro, livre e sem medo.»
Francisco Ferreira, Expresso

 

Pasolini é um filme onde Abel Ferrara não se pavoneia, antes assume o cinema com todas as implicações e a concentração necessárias para prestar uma homenagem exacta a um artista admirado.

Les Inrockuptibles

 

[Willem Dafoe] tem um interpretação intensa, melancólica, cortante.

Le Monde

 

Um filme repleto de beleza e sordidez, com a Holly de Lou Redd a servir de santa padroeira. Entretanto, o seu Pasolini é fantástico, um estudo em negros aveludados e verdes nebulosos. É profano e precioso, que brilha como a lua.

Xan Brooks, The Guardian

 

Um hino subtil, sedutor e esclarecido ao talento de um artista por outro artista que está prestes a redescobrir o seu próprio talento.

The Telegraph

 

[Willem Dafoe] tem um interpretação intensa, melancólica, cortante.

Le Monde

 

Willem Dafoe tem ele próprio uma estranha parecença física com Pier Paolo Pasolini e escolhê-lo para interpretar o poeta, realizador, ensaísta e agitador político, que continua a ser uma grande figura da cultura na Itália quarenta anos depois da sua morte brutal foi uma ideia brilhante.

The Hollywood Reporter

 

Duração do Espectáculo

1h25

Faixa Etária

M/12

Preçário

€4
€3 [< 25, Estudante, > 65, Grupo ≥ 10, Desempregado, Parcerias]

€8 [Preço especial Pasolini – 40 Anos // Filme + Espetáculo]
  • partilhar: