SEM UM TU NÃO PODE HAVER UM EU // DE E COM PAULO RIBEIRO // DIA MUNDIAL DANÇA // MÊS DA DANÇA

Qua 29 Abr 2015 | 21:30 | Auditório
17ª SEMANA CULTURAL - 725 ANOS DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA

Sinopse

Nesta coreografia, que torna inesquecível o tema Insensatez, de Robert Wyatt, há a dança de um coração em carne viva. Um eu que quer conjugar a segunda pessoa do singular, como quem diz “sou tu, também tu”, mais do que “sou teu”. Há mais entrega que posse. Entre gestos lentos e límpidos, passos periclitantes e desmoronadiços, e movimentos sísmicos, Paulo Ribeiro desenha um mapa afetivo. O coreógrafo transforma-se num sismógrafo de tremores emocionais.  Nesta peça, há amor, ódio, solidão, angústia, dilemas conjugais, luta interior, desmoronamento, mãos e mãos. E há convulsão. Um corpo, que de tão vivo, joga xadrez com a morte. No final, uma catarse que ilumina. O choro que irrompe, como orvalho ao amanhecer.

Ficha Técnica

Coreografia e interpretação Paulo Ribeiro

Música ROBERT WYATT / Cuckooland: Insensitive, FRANZ KOGLEMANN / O Moon My Pin-Up: Third Movement, Distinctions – IX, BACH / Cello Suites [Pablo Casals]: Cello Suite #5 In C Minor, BWV 1011 – Prélude e Courante, MAGNUS LINDBERG / Ictus Clarinet Quintet: Related Rocks

Figurino José António Tenente

Desenho de luz Nuno Meira

Coprodução Fundação Centro Cultural de Belém, CCVF, Teatro Nacional São João

Organização Reitoria da Universidade de Coimbra, TAGV

Informações Adicionais

Em Sem um tu não pode haver um eu, Paulo Ribeiro não só regressa ao palco, como o faz sozinho, apenas com Ingmar Bergman, para talvez construir uma coreografia feita de várias felicidades. Mergulha nas “verdadeiras palavras, aquelas que transportam a vida, as que estão cheias de sentidos, as que Ingmar Bergman filmou acompanhadas de horas, fantasticamente longas, de vida vital”. “É com estas palavras e as suas músicas que eu gostaria de voltar a dançar e talvez, desta vez sim, dançar pela última vez…”, escreve o coreógrafo.

Em 33 anos de carreira, Paulo Ribeiro dançou o seu primeiro e único solo, Modo de Utilização, em 1991, na Bienal Universitária de Coimbra (BUC). Em 2006, depois de ter dançado, precisamente, Malgré Nous, Nous Étions Là anunciou que não voltaria ao palco como intérprete, mas em JIM percebeu-se que a quebra desse voto estaria iminente e assim é.

Sem um tu não pode haver um eu começa sob a luz de Lanterna Mágica, a autobiografia de Ingmar Bergman, cineasta que inspirou, aliás, este solo criado e interpretado por Paulo Ribeiro. “Bergman cruza-se comigo num momento em que considero que temos de nos debruçar sobre a nossa felicidade, tenha ela os contornos que tiver. Apesar de nos tentarem abafar com números e realidades que não são as nossas, a condição humana tem de vingar”, aponta o coreógrafo que regressa agora ao palco, depois do espectáculo JIM.

Nesta coreografia, que torna inesquecível o tema “Insensatez”, de Robert Wyatt, há a dança de um coração em carne viva. Um eu que quer conjugar a segunda pessoa do singular, como quem diz “sou tu, também tu”, mais do que “sou teu”. Há mais entrega que posse. Entre gestos lentos e límpidos, passos periclitantes e desmoronadiços, e movimentos sísmicos, Paulo Ribeiro desenha um mapa afectivo. O coreógrafo transforma-se num sismógrafo de tremores emocionais.  Nesta peça, há amor, ódio, solidão, angústia, dilemas conjugais, luta interior, desmoronamento, mãos e mãos. E há convulsão. Um corpo, que de tão vivo, joga xadrez com a morte. No final, uma catarse que ilumina. O choro que irrompe, como orvalho ao amanhecer.

 

PAULO RIBEIRO

Natural de Lisboa, foi em várias companhias belgas e francesas que fez carreira como bailarino, até que os seus passos conduziram-no à criação coreográfica. A estreia enquanto coreógrafo deu-se, em 1984, em Paris, no âmbito da companhia Stridanse, da qual foi cofundador, e que o levou à participação em diversos concursos naquela cidade, obtendo, logo no ano da estreia como coreógrafo, o prémio de Humor e, no ano seguinte, em 1985, ganhou o 2.º prémio de Dança Contemporânea, ambos no Concurso Volinine.

De regresso a Portugal, em 1988, começou por colaborar com a Companhia de Dança de Lisboa e com o Ballet Gulbenkian, para os quais criou, respetivamente, Taquicardia (Prémio Revelação do jornal Sete, em 1988) e Ad Vitam. Com o solo Modo de utilização, interpretado por si próprio, representou Portugal no Festival Europália 91, em Bruxelas.

A sua carreira de coreógrafo expandiu-se no plano internacional, a partir de 1991, com a criação de obras para companhias de renome: Nederlands Dans Theater II (Encantados de servi-lo e Waiting for Volúpia), Nederlands Dans Theater III (New Age); Grand Théâtre de Genève (Une Histoire de Passion); Centre Chorégraphique de Nevers, Bourgogne (Le Cygne Renversé); Ballet de Lorraine (White Feeling e Organic Beat). Para o Ballet Gulbenkian, criou ainda: Percursos OscilantesInquilinosQuatro Árias de ÓperaComédia Off -1White Organic Beat, Organic Cage, Organic Feeling.

Entretanto, em 1994 o criador foi galardoado com o Prémio Acarte/Maria Madalena de Azeredo Perdigão pela obra Dançar Cabo Verde, encomenda de Lisboa 94 – Capital Europeia de Cultura, realizada conjuntamente com Clara Andermatt.

Em 1995, fundou Companhia Paulo Ribeiro, para a qual já criou 15 coreografias: Sábado 2Rumor de DeusesAzul EsmeraldaMemórias de Pedra – Tempo CaídoOrockAo VivoComédia Off -2Tristes Europeus – Jouissez Sans EntravesSilicone NãoMemórias de um Sábado com rumores de azulMalgré Nous, Nous Étions LàMasculineFeminineMaiorca e Paisagens – onde o negro é corJim e mais recentemente o solo Sem um tu não pode haver um eu.

O trabalho com a própria companhia permitiu-lhe desenvolver melhor a sua linguagem pessoal como coreógrafo. E o reconhecimento não tardou. Logo em 1996, a obra Rumor de Deuses foi distinguida com os prémios de “Circulação Nacional”, atribuído pelo Instituto Português do Bailado e da Dança, e “Circulação Internacional”, atribuído pelo Centro Cultural de Courtrai, ambos no âmbito do concurso “Mudanças 96”. Em 1999, o coreógrafo venceu ainda o Prémio Almada do Instituto Português das Artes do Espectáculo.

Ao longo da carreira, tem ganho vários outros prémios de relevo, como o “Prix d’Auteur”, nos V Rencontres Chorégraphiques Internationales de Seine-Saint-Denis (França); o “New Coreography Award”, atribuído pelo Bonnie Bird Fund-Laban Centre (Grã-Bretanha), o “Prix d’Interpretation Collective”, concedido pela ADAMI (França); ou ainda o Prémio Bordalo da Casa da Imprensa (2001).

Em 2009 recebeu mais duas distinções: o prémio Coreógrafo Contemporâneo, no 1.º Portugal Dance Awards, e o Prémio do Público, no Dance Week Festival da Croácia. Recentemente foi galardoado com o prémio Melhor Coreografia de 2010 pela Sociedade Portuguesa de Autores, pelo espectáculo Paisagens – onde o negro é cor. 

Em acumulação com o trabalho na companhia de autor, Paulo Ribeiro foi Comissário do ciclo “Dancem”, em 1996 e 1997, no Teatro Nacional S. João. Desempenhou, entre 1998 e 2003, o cargo de Diretor Geral e de Programação do Teatro Viriato/CRAE (Centro Regional das Artes do Espectáculo das Beiras), e foi ainda Comissário para a Dança em Coimbra 2003 – Capital Europeia da Cultura.

Em 2006, regressaria ao Teatro Viriato, para reocupar o cargo de Diretor Geral e de Programação, isto após a extinção do Ballet Gulbenkian que dirigiu entre 2003 e 2005, tendo nesse período recebido o “Prémio Bordalo” da Casa da Imprensa Portuguesa (2005) pelo trabalho desenvolvido com esta companhia.

Em 2008, participou como coreógrafo na produção Evil Machines, de Terry Jones, para o Teatro Municipal de S. Luiz. Em 2010, coreografou o espectáculo Sombras, de Ricardo Pais. E em 2011 criou Desafinado, para o grupo Dançar com a Diferença (Madeira), e ainda um quarteto para o espectáculo coletivo Uma Coisa em Forma de Assim, com a Companhia Nacional de Bailado, para a qual criou seguidamente Du Don de Soi, um espetáculo de noite inteira, sobre o cineasta Andrei Tarkowsky e Lídia em 2014. O criador ainda trabalhou no cinema, com a conceção da coreografia para La Valse, um filme de João Botelho.

O coreógrafo tem-se ainda dedicado à formação, orientando vários workshops em Portugal, mas também em países onde a companhia tem marcado presença. Lecionou a disciplina de Composição Coreográfica, no âmbito do mestrado de Criação Coreográfica Contemporânea, promovido pela Escola Superior de Dança, e deu aulas no Conservatório Nacional de Dança.

 

MÊS DA DANÇA

Desde a temporada 2011-12, o Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) vem conferindo um amplo espaço à dança contemporânea portuguesa e internacional. Para além do dia mundial da dança, assinalado todos os anos, a programação regular de dança incluiu, nestas últimas três temporadas, coreógrafos como Rui Horta, Cláudia Dias, Wim Vandekeybus, Constanza Macras, Filipa Francisco, Francisco Camacho, Olga Roriz (com a CNB), Leonor Barata, Clara Andermatt (com a Companhia Maior), entre outros. O Ciclo Mês da Dança condensa, no espaço de um mês, a apresentação de espetáculos de referência nacional, com assinaturas artísticas distintas, permitindo ao público de Coimbra contacto com a criatividade da dança contemporânea portuguesa. As edições anteriores do Mês da Dança, acolheram as obras Europa Naquele Lugarde Miguel Moreira e Romeu Runa, Alibantes de Romulus Neagu, e Um Gesto que Não Passa de uma Ameaça da dupla Sofia Dias e Vítor Roriz, e ainda Landing de Né Barros,  Hoje de Tiago Guedes ou ainda Eternuridades de Amélia Bentes. Constituindo-se já como uma marca na cidade, a terceira edição, desta vez no mês de Abril, traz ao TAGV coreógrafos de referência, com os últimos trabalhos de Rui Horta, Hierarquia das Nuvens, um regresso do coreógrafo à “dança pura”; Miguel Moreira com o seu novo projeto Pântano, que reúne intérpretes de excelência numa proposta onde convivem corpos monstruosos e santificados; e ainda a última criação de Paulo Ribeiro Sem um tu não pode haver um eu, um solo interpretado pelo próprio e inspirado no universo do cineasta Ingmar Bergman, num gesto autobiográfico, espetáculo que assinala igualmente o Dia Mundial da Dança.

Duração do Espectáculo

50 min

Faixa Etária

M/12

Preçário

7€
5€ [< 25, Estudante, > 65, Grupo ≥ 10, Desempregado, Parcerias]

12€ [Mês da Dança // 3 espetáculos]
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