A TECEDURA DO CAOS // DE TÂNIA CARVALHO

Qui 19 Fev 2015 | 21:30 | Auditório
Estreia // Biennal de la Danse de Lyon e Centre Pompidou

Sinopse

O corpo da Odisseia de Homero é o de um percurso infinito de regresso que conduz a um reencontro. A sua forma escrita põe em cena a fusão de uma crença inabalável e de todos obstáculos que se erguem à sua frente. A sua forma movente, em contrapartida, quer traduzir esta intimidade do anseio e da luta constantes num abismo que é forçado a tornar-se um caos vivo. No interior dos limites e das exigências da dança e do movimento, não há nem progressão nem mediação, e o método não é narrativo ou sucessivo, mas descontínuo e oblíquo: a conjunção do sincronismo e da oscilação dos dois planos tem de tornar visível o retraímento e o desdobramento incessante – mas não inquebrável ou dormente – das figuras no palco. Toda a sensação de tenacidade e de persistência inexorável inerente às personagens irá trespassar os movimentos concretos dos bailarinos, quando se deixam cair no chão para logo se levantarem, quando se retraem apenas para ressurgirem de novo, incessantemente –  insistentes, incansáveis e implacáveis.

Este movimento é a areia movediça da Odisseia, o seu salto exultante e o seu silêncio à espreita. Enquanto agita e sacode a sua perceção de si próprio, fica a braços com a intuição da sua representação deixada em pedaços, sempre levantada e quebrada pela inquietação em que subsiste, pelos braços e pelas pernas, pela cabeça e pelo torso dos intérpretes, e torna-se assim inevitavelmente descentrado – ex-cêntrico, no sentido literal. A possessão que se apodera dos corpos aumenta até ao limite do tumulto e da loucura, até que se dissolve de novo e cede, entrega-se ao seu próprio desaparecimento. É a pura reciprocidade da eclosão e do apaziguamento. Bruno Duarte, Teórico

Ficha Técnica

Direção e Coreografia Tânia Carvalho

Intérpretes Anton Skrzypiciel, André Santos,  Bruno Senune,  Catarina Felix, Cláudio Vieira, Gonçalo Ferreira de Almeida , Leonor Hipólito, Luiz Antunes, Luís Guerra, Maria João Rodrigues, Marta Cerqueira, Petra Van Gompel

Música Ulrich Estreich

Figurinos Aleksandar Protic

Desenho Luz Zeca Iglésias

Cenografia de luz e imagem de promoção Jorge Santos

Produção Tânia Carvalho

Coprodução Les Subsistances (Lyon), Biennal de la Danse de Lyon (Lyon), Théâtre de la Ville com Les Spectacles vivants-Centre Pompidou (Paris), Maria Matos Teatro Municipal (Lisboa), Centro Cultural Vila Flor (Guimarães), O Espaço do Tempo (Montemor-O-Novo), Teatro Virgínia (Torres Novas), Teatro Viriato (Viseu)

Residência Artística Les Subsistances (FR); O Espaço do Tempo; Materiais Diversos / Centro Cultural do Cartaxo (PT)

Apoio Rede 5 Sentidos – Maria Matos Teatro Municipal, Centro Cultural Vila Flor, Teatro Viriato, e Teatro Académico de Gil Vicente, O Espaço do Tempo e Alkantara (Portugal)

Espetáculo coproduzido no âmbito da Rede 5 Sentidos – Rede de Programação Cultural

Informações Adicionais

ESTREIA/APRESENTAÇÃO

Setembro de 2014

Angar Sâone, Les Subistances – Biennal de la Danse de Lyon (França)

Centre Pompidou, Théâtre de la Ville com Les Spectacles vivants-Centre Pompidou (Paris/França)

 

Fevereiro de 2015

GUIdance, Guimarães (Portugal)

 

Tânia Carvalho nasceu em Viana do Castelo. Começou aos cinco anos de idade as aulas de técnica de dança clássica e, aos 14, técnica de dança contemporânea. Entre 1994 e 1999 passa por três cursos diferentes sendo estes: o curso de artes plásticas da ESTGAD, Caldas da Rainha, o curso da Escola Superior de Dança de Lisboa e o Curso de Intérpretes de Dança Contemporânea do Fórum Dança, concluindo apenas o último.

Em 1997 funda a bomba suicida – associação de promoção cultural com colegas e amigos onde permanece até ao fim de 2014. Nesta época frequenta o curso noturno de joalharia da ARCO, Lisboa (1º Ano) e começa a trabalhar regularmente como coreógrafa e intérprete de dança e teatro. Com o decorrer do tempo reduz o trabalho enquanto intérprete e passa a dedicar-se quase exclusivamente ao seu próprio trabalho autoral, algo que lhe desperta mais interesse.

Em 2005 e já ativa enquanto coreógrafa fez o curso de coreografia integrado no Programa de Criatividade Artística organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa.

No seu trabalho, enquanto coreógrafa, tem-se destacado pelo gosto e primazia em trabalhar com grandes grupos de onde surgiram as peças Icosahedron e ATecedura do Caos.

Tânia Carvalho desenvolve também trabalhos musicais. Atualmente dedicada ao projeto Idioleto em conjunto com a pianista Joana Gama.

Teve aulas privadas de Piano e formação musical com os professores João Aleixo, Diogo Alvim e Youri Popov. Mantém ativo o seu interesse pelas artes plásticas através do desenho.

Em trabalho contínuo desde 1997 apresenta regularmente as suas distintas criações em teatros, festivais, eventos e espaços diversos em várias partes do mundo.

Duração do Espectáculo

1h00

Faixa Etária

M/12

Preçário

€7
€5 [< 25, Estudante, > 65, Grupo ≥ 10, Desempregado, Parcerias]
Comprar Bilhete
  • partilhar: