VARIAÇÕES DE CASANOVA // SESSÃO EXTRA

Ter 16 Dez 2014 | 21:30 | Auditório
DE MICHAEL STURMINGER // CINEMA À SEGUNDA

Sinopse

Sessão extra com a presença da atriz Victória Guerra (na foto) e do produtor Paulo Branco.

 

“Viva la Libertà!”

Sozinho numa mansão isolada, Giacomo Casanova clama antes de desmaiar. Quando a misteriosa e bela escritora, Elisa van der Recke, vem visitá-lo, traz com ela uma nova vida a este homem envelhecido. Um filme que capta o mito do maior sedutor de todos os tempos, Casanova. A sua história é contada através da ficção e encenações de palco, que desvendam a história das suas aventuras, paixões e, por fim, do seu medo da Morte.

 

Ficha Técnica

Baseado no romance Histoire de ma vie de Giacomo CASANOVA e com arias de Don Giovanni, Così fan Tutte, Le nozze di Figaro de W.A. MOZART and Lorenzo DA PONTE

Argumento e Realização Michael Sturminger

Coautor Markus Schleinzer

Interpretação John Malkovich, Miah Persson, Veronica Ferres, Florian Boesch, Anna Prohaska, Barbara Hanningan, Kate Lindsey, Topi Lehtipuu, Jonas Kaufmann, Victoria Guerra, Maria João Bastos, Maria João Luís, Ana Maria Pinto e Miguel Monteiro

Guarda roupa e Direção de Arte Renate Martin, Andreas Donhauser com a colaboração de Isabel Branco

Direção Musical Martin Haselböck

Produtores Paulo Branco, Alexander Dumreicher-Ivanceanu, Bady Minck

Título Original The Casanova Variations
Ano de Produção 2014
País Portugal, França, Áustria, Alemanha
Data de estreia em Portugal 4 de Dezembro de 2014

Festivais e Prémios

Festival de San Sebastián – Estreia Mundial // Seleção Oficial – Em Competição

Lisbon & Estoril Film Festival – Antestreia Nacional // Seleção Oficial – Fora de Competição

Informações Adicionais

Ao ver as Variações de Casanova, de Michael  Sturminger, depois de ter acompanhado as filmagens no verão de 2013, senti-me na presença de outro “monstro” [artístico, como André Bazin chamara ao filme Os Contos de Hoffmann, de Powell e Pressburger]. O filme é um híbrido, onde os tempos da vida, do teatro, da ópera e do cinema – para não falar do tempo cronológico – se misturam. […]

A solução de Michael Sturminger foi casar Casanova com a música de Mozart e pedir à estrela que é John Malkovich que juntasse as pontas. Reconhece-se que os ingredientes estão bem escolhidos: Casanova era amigo de Lorenzo da Ponte, vivia em Praga quando Mozart ultimava a estreia de Don Giovanni em 1787 e deve ter contribuído para o libreto, dados que Da Ponte estava ausente. A premissa do filme é que Mozart compôs uma ópera sobre os anos da decadência de Casanova (com situações adaptadas da trilogia daponteana, Le nozze di Figaro, Don Giovanni e Così fan tutte, que John Malkovich é um grande ator contemporâneo talhado para incarnar libertinos, e que a ópera está hoje a ser cantada no São Carlos. Episódios da História da Minha Vida de Casanova transformam-se em cenas das óperas de Mozar, e a atualidade intromete-se no século XVIII, o da construção do Teatro. O resultado é, nas palavras do realizador, “uma noite na ópera” – o que imediatamente aponta para o filme (1935) dos Irmãos Marx. O tal “monstro”, que primeiro se estranha e depois se entranha graças ao poder da música.

São as cenas operáticas que proporcionam o melhor cinema, pois o artifício despojado da ópera joga bem com o tempo cinematográfico. Ajuda o facto de a plêiade de cantores aqui reunidos – a crème de la crème internacional – serem todos excelentes actores. Jorge Calado, Expresso

 

A solidão, entenda-se, pode não ser o espelho silenciosos do mundo, antes a sua reconversão festiva em palco de todos os artifícios e máscaras. É essa a via escolhida por Michael Sturminger, em Variações de Casanova, filmando o admirável John Malkovich como um ser paradoxal e instável, em que as artes do fingimento se confundem, nem que seja por inusitado pudor, com os enigmas da revelação espiritual.

Convém, por isso, dizer que não se trata de ceder ao novo-riquismo bem pensante que considera sempre que os temas “clássicos” devem ser “modernizados” para acederem ás singularidades do nosso tempo – pobre tempo em que se ignora que o classicismo é aquilo que regressa, só pode regressar, igual a si próprio. Estas Variações de Casanova (será preciso insistir, precisamente, no sabor clássico do título?) devolvem-nos, por isso, os prazeres de uma primitiva lógica teatral em que tudo é jogo de ambivalências, numa permanente relação incestuosa entre palco e bastidores.

Na apresentação do seu belíssimo livro Casanova l’admirable (1998), Philippe Sollers falava da necessidade de devolver o homem à sua verdade, expondo-o como “simples, direto, corajoso, cultivado, sedutor, divertido”. E deixava-nos a definição mais austera: “Um filósofo em ação.” Há uma tristeza visceral inerente a tal ação, o que não impede que Variações de Casanova seja, no fundo, uma genuína e contagiante comédia. João Lopes, Diário de Notícias

 

Dificilmente os comentários estarão à magnífica altura deste filme. Tem de ver “Variações de Casanova” se gosta de cinema, de música e de literatura. Simultaneamente moderno e clássico, é um jogo mordaz onde confluem todas as solidões habilmente retratadas. Também os desejos, o luxo e uma irrenunciável e teatral Lisboa. Um filme imprescindível que ficará na memória e que se evocará quando se ouvir Mozart. Nada mais, nada menos. Pilar del Río

 

Um filme belo e sólido. Com uma densidade apurada e um fascinante rigor estético. Uma viagem sem tempo, no tempo entre a ideia do momento e o fascínio do eterno. Um mosaico que entrelaça a memória do instante e o instante da memória. António Bagão Félix

 

Em “Variações de Casanova”, o cinema encontra o teatro que encontra a ópera, como base nessas Memórias que inventaram uma vida para fazer dela um mito. Se o destino de Casanova é (tal como as diversas formas de arte) seduzir, o extraordinário «faz de conta» da sua existência repete-nos sem cessar que a única forma verdadeira de meditar sobre o amor é praticá-lo – e que tão incomparável exercício vivencial de sinceridade e simulação há que elevá-lo à mais livre, clarividente e sublime expressão artistica. Jorge Vaz de Carvalho

 

Nunca vi um filme tão interessante com um enquadramento a partir da nossa Ópera [Teatro Nacional de São Carlos]. As primeiras cenas são da entrada dos lisboetas para assistir a um espectáculo, a própria evocação do destino do Casanova. Já isto é uma coisa extraordinária, não só em si, mas pelo facto de uma das grandes realidades culturais do nosso país desde o século XVIII ser promovida, assim de repente, ao estatuto de um Sancarlo, de Nápoles, ou de um La Scala, de Milão. Esteticamente é um  filme que se impõe. Além do mais conta com um actor extraordinário. Penso que de todas as evocações que se fizeram do Casanova nenhuma foi tão profunda, tão provocante e tão shakespeariana como esta de John Malkovich. Eduardo Lourenço

 

Por entre os camarotes e os bastidores do São Carlos, Michael Sturminger redescobre nos libretos de da Ponte e na música de Mozart o poder subversivo do desejo e da paixão. Porque com eles encontra na pulsão vital do amor, que é “divino e clarividente” e “sabe tudo”, um espaço de liberdade que desafia os limites da convenção e uma visão de eternidade que exorciza a própria morte. Rui Vieira Nery

Duração do Espectáculo

2h00

Faixa Etária

M/12

Preçário

€4
€3 [< 25, Estudante, > 65, Grupo + 10, Desempregado, Parcerias]
Grupo + 10 [Oferta 2 bilhetes na compra de 10 ingressos]
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