VARIAÇÕES PERFORMÁTICAS SOBRE ANTÓNIO (2)

Qui 07 Dez 2017 | 22:30 | Casa das Artes da Fundação Bissaya Barreto
- Performance, Agora! / INTEGRADO NO PROGRAMA PARALELO AO COLÓQUIO SOBRE ANTÓNIO VARIAÇÕES

Sinopse

ANTÓNIO VARIAÇÕES CAMALEÓNICO de Francisco Mesquita

A obra a apresentar é estática. Porém, será interativa, na medida em que alguns elementos gráficos são constituídos por materiais inteligentes (pigmentos termocromáticos), que mudam de cor, de acordo com a temperatura. A obra pode ser visualizada/usufruída sem que o espectador interaja com ela, mas tem a possibilidade de o fazer, uma vez que fomenta uma ação não apenas contemplativa, abrindo vários espaços interpretativos e que, inclusive, podem remeter para espaços individuais, no sentido da OBRA ABERTA de Umberto Eco. Esta atitude de interação tem na descoberta, na participação e na exploração a força motriz que define a profundidade de entendimento da obra: a imagem de António Variações. Interessa, assim, realçar as suas possibilidades mutantes, através dos elementos gráficos que a materializam. Este carácter de obra não estática permite uma relação obra-recetor, ficando a cargo deste último, a definição desse contato e dos significados daí decorrentes. Coexistem, por isso, várias obras, fisicamente falando, dentro da mesma. Em síntese, o diálogo do objeto plástico com o recetor, abre uma dimensão a significados plurais que reforça a relação obra-recetor e que pretende conotar a própria obra do António Variações.

 

COROA SEM CABEÇA de António Olaio

Na mão, uma longuíssima cabeleira vermelha, como uma chama. COROA SEM CABEÇA, esta cabeleira exibe o esplendor dos seus cabelos à medida que vai sendo cortada.

 

DEOLINDA – UM CONTO DE NATAL de Margarida Correia

DEOLINDA – UM CONTO DE NATAL apropria-se de universos distintos. A performance acontece em Dezembro e, sendo este um mês dominado pela exuberância ornamental do Natal, difícil é resistir à tentação de o usar como matéria ao falar de António Variações. DEOLINDA – COM CONTO DE NATAL põe em jogo uma visualidade sem limites, um universo afetivo pessoal e as potencialidades musicais de tudo isto. Aqui fala-se de Deolinda, mãe querida, e de António, ao evocar uma estética como a do Natal que, não sendo a de Variações, é, como ele próprio, excessiva e amável, imensa e doméstica, privada e pública.

 

VARIAÇÕES VÁRIAS 

de Vanda Madureira e Rosa Baptista, com o performer Paulo Correia

As Variações acontecem em 2003, quando Rosa oferece a Vanda um painel de um Anjo para que ela possa cantar “eu tenho um anjo, anjo da guarda, que me protege de noite e de dia…”. Assim, em 2017, ambas propõem Variações Várias, fazendo um encontro e materializando um grande painel, construído com a colaboração de vári@s artistas e amig@s, entre el@s Agláize Damasceno, Antónia Labaredas, Ana Rita António, Carmo Almeida, Clarissa Serafim, Cristina Assunção, Daniel Lima, Daniel Moreira e Rita Castro Neves, Fernanda Pedro, Francisca Branco, Graça Santos, Jorge Cabrera, Júlia Cruz, Maria Pereira, Micaela Mestre, Pedro Pousada, Sara Santos, Sofia Borges, Stéphane Blumi, Zélia Évora.

 

PESSOA LÊ VARIAÇÕES de Nuno Meireles

Fernando Pessoa, lisonjeado pelo afeto literário de António Variações, decide finalmente sair de Lisboa para ler em público as letras do cantor minhoto. Entre poemas e letras, Pessoa conta como descobriu Variações, como lhe agradou ouvir cantado o seu próprio poema “Canção” e ainda outras afinidades que sente com o jovem cantor. Pessoa, ao ler para o público as palavras de Variações, afirma-se como leitor atento dos jovens poetas e retribui assim a admiração que Variações confessara. PESSOA LÊ VARIAÇÕES valoriza as letras de Variações e torna performance a intertextualidade entre os dois poetas, como se acontecera influenciarem-se mutuamente. Trata-se de um cruzamento entre sessão de poesia, teatro e comentário humorado; entre duas literaturas e dois autores, os dois poetas, como se “PESSOA LÊ VARIAÇÕES fosse uma variação sobre Pessoa e Variações.

 

POP & AIDS 

conceção e produção de José Geraldo, interpretação de José Geraldo e Helena Faria, tratamento de imagem de Gonçalo Barros

POP & AIDS é uma performance que usa a narração oral, alguma encenação teatral, a declamação de letras de canções, o canto e a projeção de imagens para recriar uma experiência pessoal: a descoberta da música de António Variações (e Klaus Nomi) quando ia cortar o cabelo, no início dos anos 1980, em Coimbra. O cabeleireiro era Guilherme Pais, que tinha um pequeno e modesto salão na baixa da cidade, a que se acedia por umas escadas escuras e estreitas, e que morreu de SIDA ainda nessa década, tal como António Variações (1944-1984), também ele cabeleireiro, e Klaus Nomi (1944-1983), cuja música (em cassete) tocava repetidamente na aparelhagem de som doméstica do salão. A performance conta a história dessas idas ao cabeleireiro e da descoberta da música pop desses primeiros cantores a morrer de SIDA, uma doença ainda pouco conhecida nesses tempos. Para isso, junta memórias  e depoimentos sobre Guilherme Pais, que são encenados e ilustrados com a projeção de algumas fotografias de época, há muito tempo guardadas, com temas retirados dos discos de Klaus Nomi e António Variações, interpretados ao vivo.

Ficha Técnica

Performances integradas no programa paralelo ao COLÓQUIO SOBRE ANTÓNIO VARIAÇÕES

Informações Adicionais

Francisco Mesquita é docente e pesquisador na Universidade Fernando Pessoa (Portugal) e pós-doutorado pela Escola de Comunicações e Arte, da Universidade de São Paulo (USP). Possui doutorado, pela Universidade do Minho (Portugal), em 2006; concluiu o mestrado em Design e Marketing, pela mesma universidade, em 1999; e a licenciatura em Engenharia Publicitária, pela Universidade Fernando Pessoa (Portugal), em 1996. É coautor de duas patentes, sendo que uma delas resultou do doutoramento e incide sobre o cartaz que muda de cor mediante determinadas condições ambientais, através da utilização de materiais inteligentes. Este cartaz foi denominado pelo autor de cartaz camaleônico. A segunda patente resultou num doutoramento, com a sua co-orientação, e diz respeito ao processo de desenvolvimento de um suporte para impressão digital biodegradável. É docente nas áreas de Publicidade, Design, Criatividade e Inovação na Universidade Fernando Pessoa. Ao longo dos anos tem, também, desenvolvido a atividade de publicitário e designer.

 

António Olaio, artista plástico (pintor, performer e músico), nascido em 1963, Lubango, Angola. Vive em Coimbra. Professor no Curso de Arquitetura, Investigador do Centro de Estudos Sociais, Diretor do Colégio das Artes da Universidade de Coimbra.

 

Margarida Correia é licenciada pela Escola de Teatro e Cinema no ramo de atores, teve a oportunidade de trabalhar diretamente em teatros como o da Cornucópia (em ILUSÃO e NARCISO OU NAMORADO DE SI MESMO), Artistas Unidos (em GATA EM TELHADO DE ZINCO QUENTE), Teatro do Eléctrico (em MENOS EMERGÊNCIAS), Lisbon Players (em THE PIRATES OF PENZANCE) e Teatro Nacional Dona Maria II (em O PATO SELVAGEM). Para além do seu percurso na ESTC, tem mantido formação regular na área de canto com Orlanda Velez Isidro. Participou nas curtas metragens: NA SOMBRA (realização Tiago Freitas), HEROÍSMO (realização Helena Estrela), NA BOCA DO LOBO (realização Duarte Coimbra), CLARA (realização Inês Luís), FISSURA (realização Maria Eiriz) e FOGO DE ARTIFÍCIO (realização Clara Jost). Em 2016, criou uma série em formato de vídeo-performance à qual chamou RETRATOS e em 2017, apresentou a sua primeira performance (MERRY CHRISTMAS, MISS MARILYN MONROE) no CAPC (Coimbra) e apresentará a sua primeira criação teatral (SNOW) no Zaratan (Lisboa), no TAGV (Coimbra) e no Passos Manuel (Porto).

Vanda Madureira é artista plástica, licenciada pela ESAD-CR (Escola Superior de Arte e Design) das Caldas da Rainha em 2002. Frequentou o Mestrado de Arte Contemporânea da Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa no Porto entre 2007 e 2009. Encontra-se a frequentar o Doutoramento em Arte Contemporânea do Colégio das Artes da Universidade de Coimbra desde 2012. É membro ativo de vários coletivos artísticos dos quais destaca Pizz Buin. Desde 2005 que se encontra a desenvolver o projeto intitulado Desenho de Depois do Buraco. Aqui trabalha o lado mais relacional do desenho, onde este é o meio agregador de outros media e colaborações artísticas.

Rosa Baptista, nascida em Lisboa, em 1980, licenciou-se pela ESAD das Caldas da Rainha em 2005 no curso de Artes Plásticas. Incursou em várias exposições e publicações de ilustração, incluindo Zurzir, o gigante. Recebeu o prémio Jovens Criadores da mesma área em 2003 e 2004. De trabalhos coletivos destaca-se Pizz Buin, seleção EDP Novos Artistas em 2007, com o Projeto CASA, hoje parte da coleção MAAT.

 

Nuno Meireles é licenciado em Estudos Teatrais pela ESMAE-IP, docente no Curso de Teatro da ESAP e no Curso de Animação e Produção Artística da ESE-IPB. Estreou-se como ator na Expo 98 com o Teatro de Marionetas do Porto. Desde então, colaborou como ator com A Escola da Noite, Seiva Trupe, e Teatro Maizum, entre outros. Estudou Biomecânica Teatral de Meyerhold com Gennadi Bogdanov e, atualmente,  dirige o Teatro do Filósofo com o Parvo atado ao pé, de exploração de textos de Gil Vicente. Tem desenvolvido paralelamente atividades de poesia dita, em especial de Fernando Pessoa, de quem encenou e recitou múltiplos textos, da “Tabacaria” à “Mensagem”. Desta atividade de diseur destaca-se “125 poemas nos 125 anos de Fernando Pessoa” maratona poética de várias horas nas livrarias da cidade do Porto. Além de dar voz, tem dado corpo a vários poetas, como ao próprio Pessoa, e ainda a Camões, em entrevistas ficcionadas, animações poéticas, e pequenos espetáculos.

 

José Geraldo é performer, concebe, recolhe e trata depoimentos, é diretor artístico (encenador, ator, escritor, narrador oral, leitor, músico, desenhador de luz e espaços cénicos, sonoplasta. Fundou, em 1995, a Efémero – Companhia de Teatro de Aveiro e, em Coimbra, a companhia de teatro Encerrado para Obras (encenador, dramaturgo). Em 2000 funda, em Coimbra, a associação cultural Camaleão, onde tem desenvolvido parte do seu trabalho, cada vez mais interdisciplinar. Tem uma licenciatura em Direito, uma pós-graduação em Ciências Documentais, uma especialização em Estudos de Teatro, um mestrado em Texto Dramático e um doutoramento em Materialidades da Literatura, com uma tese sobre os modos de dizer poesia em Portugal, a partir da análise das gravações em disco. Desde 1997 que leciona na Universidade de Aveiro (Departamento de Comunicação e Arte), onde também já encenou várias obras musicais.

Duração do Espectáculo

1h30

Preçário

entrada gratuita
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